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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Legislação



Quando acaba a bateria do celular, é como se parasse um marcapasso. Sou capaz de apostar um dente da frente como, em pelo menos algum momento, essa frase já se encaixou perfeitamente na vida de grande parte da população ocidental. A cada novo G que acrescentam à tecnologia de telecomunicações, a cada aplicativo e funcionalidade sinto que ficamos progressivamente atrelados ao telefone móvel. Não é de se espantar que já haja legislação específica, regulamentando os eventos relacionados ao funcionamento do celular: a Lei de Murphy.

Segundo essa lei, se a bateria estiver cheia, o telefone não será necessário. Ele só passará a ser de vital importância quando a carga for reduzida até por volta de 15% do total. Nesse ponto, meu amigo, você começará a esperar por uma ligação importantíssima; ou quem sabe chegue ao supermercado e esqueça sumariamente o que lhe pediram para comprar. Com 15% de bateria, os pneus dos carros furam, os engarrafamentos acontecem, as pessoas se perdem e as tias que moram em São José das Ribanceiras resolvem ligar - exatamente quando você esperava uma ligação para resolver algo importantíssimo.

Outro ponto estabelecido pela Lei de Murphy a respeito das telecomunicações é que se você estiver com o telefone o tempo todo, o número de ligações que vai receber cai pela metade. Isso explica o fato de as pessoas levarem o celular para a cama, para o trabalho, para o banheiro, para o País das Maravilhas e não receberem ligações; ao passo que, esquecendo-o por um período do dia ou ficando sem bateria, elas são contactadas até por entidades do além.

Com relação às mensagens de texto, a Lei de Murphy postula no artigo 547, parágrafo 2º, inciso I que "para cada mensagem importante esperada, há sempre cinco completamente inúteis destinadas; quatro delas de responsabilidade das operadoras de telefonia móvel". É lei, gente! Exatamente por isso, quando estamos ansiosos para receber uma mensagem, somos bombardeados com dicas para arrasar na balada, oportunidades de ganhar tablets e vejam só! carros zero km, assim, do nada.

O sinal da telefonia móvel também é regulado e está destinado a cair quando você precisar responder a uma mensagem, seja por SMS, whatsapp ou o que for. Se for importante que a resposta chegue ou ainda, se a falta dela puder ser interpretada como um silêncio constrangedor, não haverá sinal disponível num raio de 150 léguas.

Ora, então por que diabos ainda insistimos em usar os telefones celulares? Porque apesar de toda essa regulamentação contrária à nossa vontade, eles ainda funcionam bem. São úteis, versáteis e concentram em si uma gama de funcionalidades que nos libera de carregarmos peso extra. Imaginem como seria carregar conosco agendinhas telefônicas, agendas, câmera fotográfica, GPS, notebook, despertador, bússola, edições e edições da Barsa, álbuns de fotografia, CD player e outras tantas coisas que são espremidas sem dificuldade no pequeno aparelho? Difícil, muito difícil...

É por isso que eu digo: estamos perdidos, leitor! Pusemos todos os recursos num dispositivo só. E valha-me Deus, ele é regulado pela Lei de Murphy. É por isso que quando acaba a bateria do celular, e ela finda nos momentos mais impróprios, a sensação que temos é de que parou um marcapasso. Aproveitemos, então, enquanto o pulso ainda pulsa.

Beijinhos
Fê Coelho

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Desisto da guerra



Meus queridos amigos.

Estou aqui hoje para dizer que desisto. Desisti de ser e fazer somente o que eu quero e de não aturar aquilo que me irrita. Desisti de ignorar as pessoas irritadas comigo, por não fazer o que todo mundo faz. Entendi que precisamos fazer o que é necessário e que não importa se você adora ser um azul berrante, caso ele distoe demais num quadro todo em tons bebê - claro que isso aí poderia ser a graça da obra, mas enfim...

Compreendi que, embora as pulsões se originem dentro de nós, isso não impede que sejam modeladas e moderadas pelos valores e expectativas das pessoas ao nosso redor. E percebi: essas pessoas esperam que você se enquadre. E acredite: mais cedo ou mais tarde você vai se enquadrar.


Não que isso seja só uma coisa ruim. O que algumas pessoas podem chamar de sucumbir, amansar o espírito, e ser domesticado pode - sob outro ponto de vista, sempre outro ponto de vista - ser chamado simplesmente de amadurecimento.

Quem vê esse tipo de texto pode pensar que sou uma pessoa avessa às convenções sociais. Pelo contrário, sou até uma criatura muitíssimo normal. Mas algumas coisas - algumas pequenas coisas - eu gostava de fazer do meu jeito.

Uma dessas míseras concessões que fazia a mim mesma era me ver livre do telefone celular, e já expliquei aqui os motivos para isso. Mas, em virtude das pressões sociais, eu me rendi. Peguei o bicho de volta, mandei consertar a pecinha que estava quebrada, pus para carregar e agora estou em fase de condicionamento - para me obrigar a manter ele carregado e perceber quando ele toca.

Acho que mudar faz parte da vida e de ser uma pessoa melhor. Em alguns casos, bater o pé e querer ficar como éramos é sinal de que a pessoa não quer crescer. Bem, pois eu abro mão da minha síndrome de Peter Pan. Vou crescer até onde puder. E vou me adequar, dentro do que achar necessário.

Vou ter metas e objetivos claros, bem traçados e planejados. E vou aprender a manter o raio do telefone celular funcionando. Quem sabe, quando eu estiver acostumada com ele, eu me dê um telefone bem "modernoso" de presente.

Falando nisso, onde foi que eu deixei ele mesmo?

Beijinhos
Fê

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Eu queria um HD externo.





Eu queria um HD externo para o meu próprio cérebro. Queria poder ter outro lugar, que não fosse a minha cabeça, para armazenar algumas coisas. Seria uma bênção poder me livrar de alguns arquivos e fazer um backup de outros.

Se eu pudesse mesmo ter um HD externo, iria organizá-lo em pastas. Tudo ficaria bem compartimentado e juro solenemente que alguns assuntos não seriam visitados nunca, jamais. 

Iria começar pela pasta do trabalho. Essa ficaria irremediavelmente no HD externo e os arquivos só migrariam para a máquina original quando batesse o cartão de ponto. Eu pararia de me preocupar no meio da madrugada com os exames dos pacientes e com as coisas que poderiam ter sido melhor desenvolvidas. 


Faria uma pasta para meus escritos, principalmente os importantes. Ali, faria um backup de todas as ideias que me aparecem num flash em momentos totalmente inapropriados e se recusam a voltar outra hora. Colocaria nessa pasta também o meu medo de me frustrar e toda a ansiedade que, em alguns momentos, os textos me fazem sentir. Encheria essa pasta com diálogos, observações do cotidiano, situações, descrições e personagens. E buscaria cada uma dessas informções no momento oportuno. Acrescentaria ali algumas gramáticas e técnicas de escrita, bem ao lado do novo acordo ortográfico.


Teria uma pasta para erros. Minha cabeça está lotada deles e eu tenho o hábito intragável de ficar remoendo cada um por dias a fio. Seria um alívio poder me desfazer desse conteúdo de vez em quando.


Faria uma pasta para boas lembranças. Um backup seguro para momentos que gostaria de poder gravar na memória para sempre.

Incluiria uma pasta para sonhos e objetivos.


Teria uma seção de lembretes, coisas a fazer e obrigações.


Faria um espaço com a única finalidade de me obrigar a fazer exercícios físicos e usar o telefone celular.


E a pasta mais importante de todas seria uma totalmente vazia. Não colocaria nada lá. Nada de medos, sensação de impotência, raiva, tristeza, euforia, nada que me lembrasse de compromissos, de erros, de faltas. Essa pasta seria o meu maior tesouro. Seria acessada com frequencia, toda vez que eu precisasse fugir de mim.


Claro que o HD precisaria de uma capacidade enorme, mas sempre se pode sonhar, não?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Eu e o telefone celular.¬¬

Hoje encontrei, sem querer, meu telefone celular numa estante do escritório aqui de casa. O papo já começa estranho, né? "Como assim, encontrou sem querer?" Pois é. Eu, ao contrário de milhões de pessoas, para quem o dito cujo é indispensável, não tenho paciência com ele. Embora ele seja extremamente útil - há que se reconhecer isso - eu simplesmente não consigo me habituar a depender dele.

Segundo a Wikipédia, o telefone celular ou telemóvel (em português europeu) é um aparelho de comunicação por ondas eletromagnéticas que permite a transmissão bidirecional da voz e dados utilizáveis em uma área geográfica que se encontra dividida em células, cada uma delas servida por um transmissor/receptor. A invenção da "belezura", segundo o mesmo site, ocorreu em 1947 pelo laboratório Bell, nos EUA.

1947? Sim.

De lá pra cá, cada vez mais pessoas são adeptas do uso - seja por livre espontânea vontade ou pressão. E eu fico cá com meus pensamentos, imaginando até quando eu vou conseguir ou querer resistir aos apelos maciços da minha família para que eu acorde e faça parte dos números (como toda pessoa de bom senso deve fazer).

Segundo dados do site Teleco, o número de celulares ativos no Brasil, no mês de junho/2010, era de 185.134.974 aparelhos. Isso representa, ainda segundo dados do site, um crescimento de 25.521.467 de aparelhos em um ano.

Então eu me pergunto: "Por que diabos eu não consigo me obrigar a usar o famigerado aparelhinho? Todo mundo faz isso. Todo mundo se acostuma. Por que é que eu não consigo?"

Minha história de desafeto com o aparelho celular começou há anos. Mais ou menos dez, pra ser mais específica. Ganhei de presente um Nokia pesadão, tela amarela, de segunda mão. Meu pai tinha acabado de comprar um aparelho melhor, menor e mais moderno (devia pesar mais ou menos um quilo - brincadeira).

Fiquei até feliz com a nova aquisição. Mas os dessabores não tardaram a se manifestar.

Primeiro: manter a bateria carregada - um inferno. As baterias não eram de litio, que eu me lembre. O que significa que eu tinha que deixar o fulano descarregar e depois carregar novamente. Diga-se de passagem que isso sempre acontecia quando eu não tinha como carregar o bendito.

Segundo: Ninguém me ligava e eu não ligava pra ninguém. Sempre fui uma amiga mais do "pessoalmente", se é que me entendem. Aquela coisa esquentava a orelha e eu ficava doida pra desligar logo. Sempre preferi encontrar meus amigos, olhar no rosto, abraçar, essas coisas. Hoje a coisa funciona diferente. Acabei usando mais o telefone e a internet com o passar do tempo. Afinal de contas todo mundo anda ocupado e a internet já é banda larga. Mas uso o telefone fixo. Quando estou fora de casa, ocasião em que lançaria mão do celular, não tenho tempo nem para arrancar os cabelos, o que dirá ficar de papo. Quando estou em casa... Celular pra quê?

Terceiro: Acho que eu sou desorganizada mesmo. Quando carrego o aparelho comigo, ele está descarregado. Quando ponho ele pra carregar, esqueço de carregá-lo comigo. Quando está carregado E comigo, geralmente está no silencioso. E quando não está no silencioso, nunca escuto ele tocar.

Embora a revolta seja perene, acho que minha família e amigos estão quase se acostumando, digo quaaase. Ainda brigam e reclamam comigo - muito. Eu ouço pacientemente, reconheço que eles têm razão e prometo que vou pôr o telemóvel pra carregar.

Aí eu chego em casa, olho de rabo de olho pra ele... Ele está dormindo tão quietinho, tão gostoso. Coitado. Amanhã eu ponho pra carregar...

Quem sabe amanhã, quem sabe..

Tem uma amiga minha, a Carol, que se dispede dizendo beijo me liga. Vou parafrasear.
Por hoje é só.
Beijo, me liga (no fixo).
Fê
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