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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Maternidade Faixa Branca



Não era para hoje essa crônica. Nem para ontem. Na verdade, estou em débito com alguns leitores desde a semana passada e há apenas dois segundos, eu ainda tinha a minha filha caçula pendurada no meu pescoço. Até que eu pedi "cinco minutinhos pra mamãe escrever uma crônica" e elas partiram para a sala. Nesse exato momento, estão morrendo de rir de algo que não sei bem o que é (um arrepiozinho de preocupação aqui). Sobre o que, então eu queria falar há tantos dias? Sobre o conceito de Mãe Faixa Preta e seu derivado a Mãe Faixa Branca.

A primeira vez que vi essa expressão, foi num livro da Marian Keyes. Uma personagem usou esse termo para falar sobre o quão difícil era lidar com a vizinha - que tinha uma vida toda estruturada, filhos lindos, polidos, educados, talentosos, atarefados e poliglotas. A infeliz sempre sabia o que fazer, tinha tudo sob controle, nunca se exasperava, os filhos não choravam, não davam birra e já escreviam o próprio nome em mandarim (ok, exagerei). E eu preciso confessar: como eu me identifiquei com a sofrida personagem mãe faixa branca!

Outro momento que me fez refletir muito foi a visita a uma grande amiga que acabara de receber a credencial de mãe. Liguei para ela e ofereci ajuda - resumindo, eu ficaria com o bebê para que ela pudesse tomar um banho, dormir cinco minutos, comer algo, essas coisas que a gente precisa fazer e pouco realiza quando se está com um bebê pequeno. Na ocasião, minha amiga me disse - e me sinto traída e traidora até hoje - que ninguém nunca havia falado sobre as partes difíceis. E foi quando eu me dei conta: no que se refere à maternidade, temos a mania de exaltar o que é lindo e jogar o que não for assim tão glamouroso para debaixo do monte de fraldas (porque o tapete já não pode ser usado; sabe como é, o bebê tem alergia). Até aí, todo mundo faz. Mas, convenhamos, tem gente que exagera.

Minha sensação é que, desde o primeiro comercial de margarina e talvez bem antes disso, a imagem de família perfeita venha se refinando e se tornando cada vez mais inatingível. São apenas momentos lindos de puro lazer e deleite, com luz bem posicionada e várias fotos nas redes sociais. As pessoas foram se aprimorando na arte de fazer crer e, corrijam-me se eu estiver enlouquecendo, fizeram dos pimpolhos pequenos troféus que carregam para cima e para baixo. São as mães faixa preta.

Agora a criançada sai das fraldas cada dia mais cedo - afinal de contas o filho da vizinha já saiu. É menina que aprende a ler quando nem sabe que terra não é comida, menino que vira um videogame do avesso aos dois anos e meio, criança que usa termos tão complexos que Ruy Barbosa teria lá suas dificuldades em lidar com ela. Nada contra. Juro, juradinho. Só não entro nessa barca. Sou uma mãe faixa branca.

Entenda, leitor. Eu amo ser mãe. Faço isso com todo o meu coração e não saberia fazer outra coisa da minha vida. Mas confesso não ser perfeita. Frequentemente, acontecem coisas que me fazem pensar "e agora, José?". Cinco vezes por dia, eu respiro um pouco mais fundo. E simpatizo do fundo do coração com uma amiga que certa vez me disse já ter considerado roubar galinhas para ir para a prisão - direto para a solitária - e dormir uma semana inteira. Maternidade é uma coisa boa como não consigo explicar, mas ninguém se engane sobre ser fácil.

E é por isso que eu amo quando me encontro com as minhas amigas que também têm filhos. Aí elas contam sobre os meninos que acordam de noite, sobre os pratos de comida que demoram a eternidade para findar, sobre o banho que nunca começa e depois nunca acaba, sobre o cabelo que aguarda uma ida ao salão há um mês. Minhas amigas que estão na turma de mães faixa branca têm coragem de assumir que ficaram bravas, que os filhos demoram pra fazer o dever de casa e que as toalhas não voltam automaticamente para o banheiro. Elas são solidárias, quando falo sobre aquele livro há meses aguardando ser lido, e sobre o fato de o banho ter virado um momento de lazer.

Quando encontro mães faixa branca, o que acontece é uma sensação de acolhimento, de pertencer e de normalidade que fazem um bem danado ao coração da gente. O que ocorre é que você percebe finalmente: sou uma mãe normal, com crianças normais, numa casa normal, com uma família de verdade. Existimos. Temos uma rotina e alguns atritos, mas amor suficiente para deixar todos os perrengues de lado e seguirmos felizes.

A crônica ficou pronta uma semana depois. E não pense que foi escrita em dois ou três minutos. Entre uma e outra frase, pedi para que o volume da televisão fosse abaixado, preparei leite, precavi contra acidentes diversos e ameacei mandar as crianças mais cedo para a cama. Agora pergunte se eu queria outra vida...

Sobre ser mãe, eu citaria Djavan e Caetano para encerrar o raciocínio: "se tivesse mais alma pra dar, eu daria. Isso pra mim é viver".

Beijinhos
Fê Coelho.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Escritora com Nome de Bicho



Era a escritora miudinha. Pequenininha, com um ou dois degraus subidos, mas com uma vontade enorme de conhecer a escada. Era a escritora miudinha, ainda tentando entender o processo. Peixe pequeno se aventurando fora do coral.

Tem sobrenome de bicho, essa escritora. E tem consigo essa simplicidade; esse não saber, que de tanto não saber acaba descobrindo alguma coisa. Não consegue usar as formas mais rebuscadas da língua. Não sabe jogar purpurina pra todo lado. Toda ela é meio assim, sem rodeios. Pensa o que quer dizer, sente a forma como quer que sintam e escreve. Descomplicada essa escritora com nome de bicho.

Já pensou que queria ser cantora, mas cantora não pôde ser. Não conseguia saber a diferença entre tons e ritmos, nem se adequar ao som. Mas ela sempre viu o pôr do sol em forma de texto. Sempre se encantou com tudo o que viu, com as histórias que encontrou e com as formas de contá-las. Gostava de poesia, aquela criança miudinha, e de livros, e de arte. Nunca soube classificar bem as coisas, mas sentia todas elas. Vive um eterno sentir, essa criatura.

E talvez seja por isso que ela escreve: porque sente além da conta; porque pensa e vira frase a cada esquina do caminho; porque transforma tudo em texto. Alguns ela guarda consigo, outros ela encerra no coração. Mas alguns ela manda espiar o mundo, como a pomba do dilúvio, meio que para saber se é seguro. E os textos obedecem. Fluem, saem e voam. Encontram corações e fazem morada. Ou ficam por apenas um segundo. Ou não ficam. Mas eles seguem viagem. E voltam trazendo notícias do mundo de lá.

Curiosa essa escritora com nome de bicho, que gosta de crianças; que quer ter sempre o olhar como o delas. E que, se dizendo escritora infantil, mesmo assim se sente em dívida de sinceridade com o amigo leitor adulto. Escritora teimosa que fala de tudo, mas que teima em não falar de amor.

Ah escritora danada. Aprende que não é você que escolhe as palavras; elas é que fazem morada no seu coração e passeiam pelos seus dedos. Aprende escritora com nome de bicho. Nessa brincadeira, você é sempre a pega.

Feliz dia do escritor.
Beijinhos
Fê Coelho

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Pedra e Flor: reflexões sobre ser Enfermeira.



A enfermagem é a arte e a ciência de cuidar; isso é sabido. O que eu ainda não sabia é que a enfermagem, como arte ou ciência, é obra que leva a vida toda sendo construída.  Há coisas e fatos que aprendi durante meus cinco anos em período integral de faculdade. E há outras tantas coisas que compreendi em meus quase nove anos de profissão. Há coisas que foram fáceis de aprender e outras com as quais luto até hoje. E tremo em pensar sobre o quanto ainda há para saber, fazer e sentir.

Percebi - e ando me debatendo com esse fato nos últimos dias - que o enfermeiro é muitas vezes o olho de outro profissional sobre o paciente. Como estamos lá em tempo integral, somos quem decide se algo é simples de se resolver, com os recursos de que se dispõe na hora, ou se é momento de chamar outro profissional. Creiam: nem sempre é fácil fazer isso. Para saber a quem e quando chamar, é preciso conhecimento e discernimento. Reconhecer as grandes e pequenas necessidades daqueles sob nossos cuidados e garantir para que elas sejam atendidas é algo laborioso, que pode nos custar, em alguns casos, até a paz de espírito.

Entendi que não há limite para o que se pode aprender. Academicamente falando, ou não. Cada contato com uma pessoa é o momento oportuno para crescer; não importa se como profissional ou como ser humano. Um bom enfermeiro cresce. O tempo todo. E usa essa capacidade em prol dos que se confiam a ele.

Descobri que muitas vezes, pouco é tudo o que podemos fazer; contraditoriamente, nesses momentos, pouco pode querer dizer exatamente isso: tudo. Não é fácil ouvir os agradecimentos de filhos cuja mãe você não pôde salvar. Esse é o tipo de coisa que dói de um jeito estranho. Dói até você compreender que as pessoas morrem, mas que a maneira com que foram tratadas até que isso aconteça é fundamental. Dói até você entender qual é o seu papel diante de cada par de olhos com os quais você cruza. E até você pensar que aprendeu e se encontrar com uma nova dor, fruto do inesperado. E até você entender que, muitas vezes o coração do enfermeiro é remendado; mas continua acolhedor.

Compreendi que um novo trabalho é uma nova oportunidade; um caminho a trilhar, com suas particularidades, surpresas, vitórias e agruras. E entendi que um antigo trabalho será sempre uma escola, herança e origem para a qual olhar sempre que necessário. No fim das contas, acolher o futuro e honrar o passado continua sendo um bom meio de vida.

Aprendi com a dor, com a incerteza, com a beleza que se esconde bem longe do óbvio. Tive como mestres a convivência de pessoas, o que elas fizeram, o que deixaram de fazer, o afeto e a falta dele. Aprendi com o fazer, com o agir, o ouvir, o esperar, o observar, o sentir. Aprendi muito. Em cada momento de doação, em cada segundo de incerteza e ao final de cada dia, com a cabeça no travesseiro, certa de minha sorte por estar saudável.

Lembro-me ainda das palavras de um dos meus mestres na faculdade, o Dr. Marcelo Medeiros. Certa vez ele nos alertou que um dia seríamos pedra e, no outro, janela. Nunca me esqueci disso. Nunca deixei de pensar que num dia eu cuido e noutro posso estar ali, frágil, janelinha da Silva. E ainda me espanto com a beleza da profissão que exerço: uma que pode ser pedra, mas que opta de todo coração por ser flor.

Feliz dia do Enfermeiro a todos os meus colegas.
Me orgulho da profissão que exercemos.
Beijinhos,
Fê Coelho.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Se você me fizer sentir gratidão.



Se você passar pela minha vida e me fizer sentir gratidão, vou me lembrar de você sempre. Se fizer meu coração rir baixinho, você terá sempre um lugar especial, a mesa posta, os lençóis limpos e as janelas amplas abertas para um lindo jardim. Meu coração é generoso com quem enfeita suas paredes com quadros de amor e amizade.

Se você me fizer sorrir à lembrança do seu olhar, vou querer te ligar no meio da tarde. Vou me preocupar com seu bem-estar e dedicar a você uma boa dose de bem-querer. Vou me interessar pelo seu dia e prometo fazer um esforço grande para me calar e ouvir o que você tem a dizer. Porque se sua passagem pela minha vida tocar meu coração, vou querer ser uma pessoa melhor por causa de você e isso inclui reconhecer meus defeitos (entre eles o de falar demais).

Se você deixar um pedaço de si comigo, vou cuidar bem dele. Ou vou, no mínimo, me esforçar nesse sentido. Provavelmente vou cometer falhas e dar mil mancadas. E vou me sentir em falta com você. E mesmo que passemos um tempo sem nos falar - porque a vida anda corrida para todo mundo - você estará nos meus melhores pensamentos e nas minhas orações. Porque você me fez sentir gratidão e isso é algo que sempre tem volta.

E quando nos falarmos vou querer saber como anda a vida; vou perguntar como estão as coisas no trabalho, as crianças, a reforma do apartamento; vou tecer os elogios que fiz mentalmente ao ver uma foto sua no Facebook. E vamos rir. Sei que não é muito. Quem traz gratidão ao meu coração merece muito mais que isso. Nesse ponto entra um pedido de desculpas. E se você fizer o meu coração sentir amor, vou dizer isso quando desligarmos o telefone. Porque se você me fez sentir especial, vou retribuir isso e vou querer que você se sinta igualmente reconhecido.

Por outro lado, se você passou pela minha vida e pichou as paredes, espalhou as coisas pelo chão e deixou tudo meio cinza, vou reformar a casa; vou pintar tudo e pôr quadros novos; vou espalhar botões mimosos por todo canto até que não me lembre mais do que você fez. E, principalmente, vou deixar que você se vá para longe e para sempre. Meu coração não retém hóspedes inoportunos e nem cultiva lembranças desnecessárias.

Meu coração é lugar de bons amigos, familiares amados e amor retribuído. É casa simples, caiada de branco, ensolarada e acolhedora; uma casa que só abriga quem a ela trouxer nada menos que gratidão.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Das Negativas



Estive aqui pensando sobre os revezes com os quais muitas vezes somos brindados pela vida. Estive aqui refletindo sobre quantos trancos uma pessoa tem que aguentar nessa sucessão de dias, fatos e saberes que é a existência de cada um. E matutei sobre as coisas que recebi de amigos e parentes. E acabei me detendo nos presentes que ganhei dos meus pais até hoje. A conclusão a que cheguei foi de que o maior de todos os tesouros que já recebi foi o Não.

O não, bem aplicado, me mostrou que existe uma coisa chamada limite. Fez-me compreender que posso ir até certo ponto com as pessoas; mas dali em diante, não! Entendi que é assim mesmo. Todos possuem um limite claro, ou pelo menos deveriam. A negativa mostra que não podemos tudo, não sabemos tudo, e não, não somos os melhores em tudo. O advérbio de negação ensina. Ah! Como ensina.

Quando criança eu sempre soube que não tinha exatamente os mesmos brinquedos que as outras crianças, pelo simples fato de alguns deles estarem fora do nosso poder de compra. Meus pais nunca tentaram nos dar coisas que não podiam e nos comunicavam claramente os motivos. Isso trouxe algumas consequências terríveis: aprendi a ser honesta no que digo; entendi que não posso ter tudo quanto queira; tornei-me feliz pelo que tenho, deixando o que não está em minhas mãos para lá. Horrível, eu sei.

Além disso, o não dos meus pais me deu forças para enfrentar as negativas da vida. Chamam isso de resiliência - que no bom português, é a capacidade de aguentar trancos, de voltar ao estado inicial depois de algum impacto. E não se engane, a vida nega. E como nega! Seu aumento não sai. O carro que você quer comprar só pode ser entregue na semana que vem. Você é reprovado em algum concurso por uma questão. O vestido lindo só está disponível num tamanho dois números menor. A fila demora. O dinheiro acaba. Algum amigo se afasta. A pessoa por quem você suspira simplesmente não te ama. Ou não te ama mais. Ou trai a sua confiança. Ou todas as coisas juntas. E não, você não vai poder gritar com o gerente, nem bater na velhinha que leva um ano pra atravessar a faixa de pedestre quando você está atrasado. Você não vai poder sair da sala do chefe batendo a porta, nem quebrar o braço da mocinha na balada porque ela não quis te beijar.

O não, aplicado na infância, é como vacina. Ele nos deixa mais fortes e resistentes às frustrações. E aplicado na vida adulta ele nos permite crescer. Vacina dói. O não também. Mas existem dores que se vão indo tão de mansinho para longe, que você só percebe que elas se foram quando já nem se lembra mais de procurá-las. E o que sobra é aprendizado.  

Não é pessoal. A maioria das vezes é só o vento soprando do jeito errado. Ou o tempo do outro que está reduzido. Ou o dinheiro. Ou os motivos. Ou a vontade. Ou quem sabe seja mesmo pessoal. Mas quem disse que podemos agradar sempre? Esse é só mais um não que a vida nos empresta, para nos lembrarmos que não somos o centro do universo. 

Por fim, preciso dizer o mais importante: o não me ensinou o valor do sim. E é a ele que me agarro todos os dias. Sim, o dia está lindo. Sim, tenho mil motivos para sorrir. Sim, tenho amigos leais. Sim, estou viva, forte e cheia de possibilidades de construir uma vida repleta de cor e luz. Sim, posso agregar tanto amor quanto queira. Porque sou responsável pelas escolhas que faço.

Acolho o não como professor. Recebo as negativas da vida como lição.

E a maior de todas as lições é que não preciso ser correnteza brava, que destrói as pedras pelas quais passa. Posso ser regato manso, que contorna os obstáculos e simplesmente vai. Pra frente, pra longe. E se perde da vista da gente, nalgum ponto alaranjado de ocaso.

Beijinhos
Fê Coelho.

sábado, 23 de novembro de 2013

Mingau de leite - uma crônica sobre a memória do amor.



De todas as coisas simples, uma das mais singelas que conheço é a lembrança do amor que recebemos. Ela pode estar contida em qualquer objeto; pode se esconder em qualquer paisagem e se revelar com qualquer sabor, cheiro ou toque. A verdade é que a lembrança do amor está em tudo o que pudermos experimentar, mesmo que seja uma colherada de mingau.

O leitor não me julgue doida. Ou julgue, como queira. Fato é que hoje, numa colherada de mingau de leite encontrei a lembrança de amor que precisava para acalentar uma noite de sábado, apreciada entre um e outro plantão de doze horas, longe de todas as pessoas que eu queria ter por perto. Mingau poderoso? Não, leitor. Poderosas são as lembranças de uma infância e uma vida repletas de amor.

Mingau de leite me lembra dias e dias na companhia de minha mãe - linda, tão linda quanto meus olhos infantis podiam enxergar - cansada, depois de horas de trabalho e ainda assim, amorosa o suficiente para se esforçar um pouco mais e ir para o fogão fazer mingau para os filhotes. E me lembra de dias de chuva, quando eu e meus irmãos pouco tínhamos para fazer, exceto jogar baralho com nossos pais e brigar por coisas vãs. Sabores simples, de uma vida simples e saborosa.

A memória do amor que recebemos é alimento para o amor que entregamos. É lembrete que o coração deve ler todos os dias, antes de pensar em fechar as portas. É o próprio amor, assumindo o lugar de professor e nos ensinando a amar. A memória do amor é remédio contra o amargor; é amortecedor para a dureza da vida. É aquilo que confere valor genuíno a uma lembrança que, sem esse sentimento, seria apenas legalzinha.

O amor que recebi é tão bonito, tão leve e tão simples, que consigo encontrá-lo até numa colher de mingau fumegante. Só posso concluir que o amor não seja algo assim tão complicado, afinal.

Beijinhos
Fê Coelho.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Crônica de Quinta: A Fé e a Escada




Disse Martin Luther King Jr., "Dê o primeiro passo com fé. Você não tem que ver toda a escada. Você só precisa dar o primeiro passo". Sabem de uma coisa? Eu acredito nele. Quem me conhece pessoalmente, quem acompanha meus dias sabe disso: andei vivendo pela fé. Subi degrau por degrau, uma escada enorme, cujo fim eu não tinha a menor ideia de onde ficava; mas subi. E acontece que cheguei ao final de um dos lances. Acredito que isso me dê um mínimo de propriedade para falar com vocês sobre um assunto delicado: a fé.

Não pretendo discutir doutrina, religião ou divindades. Quero falar apenas da fé - essa capacidade que temos de acreditar em algo que não é palpável, que não se pode ver ou provar. Quero falar dessa certeza que temos cá dentro do peito e que tantas vezes guia nossos passos. Falemos do primeiro degrau, quando não se vê a escada, mas tem-se a confiança de que ela está lá. Na maior parte das vezes não é fácil fazer isso. Permita-me o leitor, descartar as atrocidades que já foram cometidas em nome de crenças ou pela falta delas e concentrar-me nos efeitos que eu experimentei em função da fé.

De imediato, acreditar que a estrada vai - como diz a música da banda Los Hermanos - além do que se vê, me permitiu o consolo. Quando os dias são muito difíceis, é preciso ter algo que amenize a situação. A fé fez isso por mim. Nos momentos mais complicados, eu me recordava que nem por um segundo eu estava sozinha; havia alguém que olhava por mim e que trabalhava a meu favor. Crer fez com que eu tivesse a sensação de que cumpria passos para algo maior, como se tomasse um remédio amargo que faria passar uma dor crônica. Essa certeza de que havia um plano me sustentou, manteve meu sorriso e permitiu que eu subisse um degrau por vez. Eu não podia ver todo o caminho; mas a cada curva que se revelava, crescia a confiança de que dias melhores viriam. A isso, eu chamo esperança.

Viver pela fé me permitiu exercitar a paciência. Por mais que queiramos, nem sempre podemos apressar as coisas. Os melhores frutos são os que amadurecem a seu tempo. E eu tive que aprender isso. Aprendi também que se você está trabalhando por algo, sendo digno e verdadeiro, cultivando amizades valiosas e acreditando sem reservas, as chances de sucesso são enormes. Boas sementes dão bons frutos. O que precisamos entender é que elas necessitam do seu tempo para se fortalecerem e só então procurarem a luz do sol.

Ah! leitor, mas quando as coisas acontecem... Quando finalmente enxergamos o caminho que trilhamos e entendemos que não, nossa vida não foi um amontoado de dias aleatórios, esse é um dia feliz além da conta! Ter passado pelo crivo da fé me ajudou a saborear as vitórias. Ter acreditado tanto e, justamente por isso, batalhado incansavelmente, deu um sentido absolutamente novo a tudo o que fiz nos últimos anos.

Acho que é mais ou menos isso: um degrau por vez, acreditando que a escada está lá. Porque no final das contas a decisão de não desistir já é uma forma de ganhar.

Beijinhos
Fê Coelho.



terça-feira, 30 de outubro de 2012

Escrever, por quê? Um texto sobre tempos bicudos



Se existe uma expressão que me tem procurado várias vezes, desde que me propus a escrever, é o tal do porquê. Com frequência maior que o razoável, surgem-me questionamentos acerca dos motivos para se fazer ou não algo. São dúvidas que surgem em diferentes momentos, por variados motivos e, não raro, vêm do convívio com os amigos, de alguma conversa ou pergunta direta.

Dentre essas questões, uma me intriga em especial, provavelmente pela minha incapacidade em respondê-la: por que escrever?

Em mais de um momento e por mais de um motivo, essa pergunta já me atazanou o juízo, fez perder a fome, o sossego, a concentração e, ainda assim, não tenho uma resposta. Sinto que escrever é como colher palavras: tal qual frutos no campo, elas estão disponíveis para quem as queira usar; entretanto, perecem. Imagino se isso possa estar relacionado à massificação das ideias, que a bem da verdade são a raiz de tudo quanto se escreve.

Enfileirar as letras, utilizar a gramática e criar um estilo que lhe seja próprio parecem-me as partes menos dolorosas do processo de criar um texto. O complicado é ter o que dizer. Talvez nem isso seja o mais difícil. Quem sabe o cerne de toda escrita seja a coragem de dar forma ao entendimento. E mais: creio que o fundamental seja assumir as próprias opiniões, sendo fiel, verdadeiro, justo, compassivo e, ai sim, viver de acordo com o que se acredita.

Convenhamos: numa época de padronização do pensamento, em que as pessoas tendem à superficialidade nas relações, discursos, atitudes e valores, encontrar quem queira refletir é cada vez mais raro. Numa de suas letras, o cantor Almir Sater - por cuja música eu sou absolutamente fascinada - diz "muita gente dá lição com cultura de almanaque". Não discordo. E nem digo que estou isenta. Talvez esse seja o ponto em que volto à pergunta que originou todo o texto: por que escrever?

Sinceramente, leitor, não sei. Continuo sem conseguir acessar essa resposta. Tenho alguns motivos que movem, como a necessidade de organizar o raciocínio, a inquietude da mente e algo como um "transbordar de vida" que me impele a colher palavras e colocá-las dispostas de uma maneira mais ou menos inteligível.

Escrever me faz bem. É a vida tentando virar arte, de um jeito pouco linear e muito pessoal. É o pensamento  atrevido e irrequieto querendo a todo custo ser página. É uma personalidade que do lado de cá da tela não se contém e pula a janela, foge da mente, se esvai pelos dedos, digita e se expõe. São as palavras, esses grilhões tão efêmeros quanto bolhas de sabão, aos quais nos atrelamos voluntariamente.

E se é verdade que tudo já foi feito, dito, pensado e escrito, perdoe-me o leitor por entregar mais do mesmo. São tempos bicudos.

O meu sincero agradecimento a todos pela companhia na iminência dos 50.000 acessos.
Beijinhos
Fê Coelho




sexta-feira, 8 de junho de 2012

Carta aberta à melhor irmã do mundo



Conheço você desde que me entendo por gente. Aprendi a andar ao seu redor, ou seria para fugir de você? Aprendi a falar para te pedir alguma coisa, ou para contar à mamãe alguma maldade que você tenha feito comigo. Vá saber. O que importa mesmo é que em todos os marcos realmente importantes de minha vida, sua figura sempre se fez presente. Você sempre esteve lá, com esses seus olhos cor de mel e esse sorriso bondoso que quase destoa numa cara de onça brava que só você sabe fazer. E quando penso em nós duas, embora sejamos tão diferentes em tantos aspectos, é como se pensasse em uma coisa só, indivisível, única, uma bagunça que a gente entende tão bem e que não se desfaz.

Com você, amoreco, aprendi a brigar, a dividir e ceder. Aprendi a ouvir, a dar colo, a ser companheira e fofocar. Mas eu diria que uma das coisas mais divertidas que aprendi contigo foi não brigar. Recordo-me exatamente, como se fosse há quinze minutos, de ver sua imagem refletida no espelho, fula da vida, enquanto me ouvia dizer "olha, eu sei que você quer brigar, mas tenho uma novidade: eu não vou brigar. Se quiser, brigue sozinha". Nesse dia, adquiri o hábito de resolver se quero brigar ou não. E sei que te matei de raiva um milhão de vezes com ele. Acontece que brigar contigo nunca foi algo quem me agradasse, porque a bem da verdade, tudo o que eu sempre quis foi a sua aprovação.

Sempre te admirei, amore. Sempre vi em você um exemplo. Você era algo, assim, como uma força da natureza, nunca se conformando muito bem com as coisas, dando um jeito para que os resultados se moldassem à sua maneira.

E o tempo passou. E nessa sanfona maluca da vida, que afasta e aproxima as pessoas, de alguma maneira, sempre estivemos unidas por um amor que não se dissolve.

Hoje sei que tenho em você um lugar seguro para onde ir, sempre que quiser e precisar. Tenho em você uma amiga extremamente fiel, uma pessoa que sempre me lembrará quem eu sou e do que sou feita. Estou falando de raiz, maninha. Daquilo que realmente importa. Sei que sempre terei em você uma pessoa divertida com quem rir e alguém com quem praticar minhas patéticas tentativas de ser um remendo de psicóloga.

Te admiro muito. Pelas pequenas coisas e pelas grandes. Te admiro pela garra com que você abraça a vida, com que desempenha seu trabalho e pelo amor com que se faz mãe. Te admiro pelas palavras doces que entrega de graça, pelo carinho que tem com todos à sua volta, pela maneira com que põe a mesa e decora a casa e por todo o resto.

Obrigada pela amizade, pela fidelidade, por todo o seu amor e por todo o resto. Obrigada por meus sobrinhos e por me ensinar a beleza de se cuidar de duas crianças lindas e estragá-las à vontade - afinal de contas, as tias estão aí para isso mesmo.

Te amo muito mais do que poderia caber em um texto curto escrito por uma pessoa de vocabulário reduzido.

Beijo gigante.
Feliz Aniversário!

Fê


sábado, 17 de março de 2012

Colecionemos


Durante muito tempo, eu imaginei que deveria ter uma coleção. Sempre supus que fosse algo para se orgulhar, algo cultivado e querido, guardado com carinho num canto especial de casa, algo para se mostrar para as visitas. Via minhas amigas com suas coleções enormes, perfumadas e multicoloridas de papel de carta e pensava “Poxa vida! Eu devia colecionar alguma coisa”

Acontece que o tempo passou e nada disso ocorreu. Todas as minhas tentativas de juntar os papéis de carta foram para o brejo. Principalmente porque eu sempre encontrava alguém muito querido para quem eu quisesse mandar um bilhete. E, claro, esse bilhetinho deveria ser escrito no meu melhor papel. Porque eu, desde girino, sempre tive essa coisa de dar o que eu tenho de melhor para as pessoas. Enfim. Minha coleção de papeis de carta foi um solene fiasco.

Partindo dessa experiência, decidi que coleções poderiam ser perda de tempo, até sentir uma vontade enorme de colecionar Matrioshkas - aquelas bonecas russas que vão saindo uma de dentro da outra. Acredito que esse desejo apareceu no dia em que percebi que elas são a melhor metáfora que eu poderia encontrar para os seres humanos: pessoas dentro de pessoas. Porque na verdade, tudo o que se vê de alguém é a casca, aquilo que é vendido. O que se sabe sobre o outro é aquilo que ele permite que se saiba.


Mas não se engane. Cada um de nós guarda tantas outras versões de si quantas forem possíveis, cada uma com seu tamanho e seu encanto. E isso é belo. Belo no sentido de que nunca se sabe de quantas camadas uma pessoa é feita. Nunca se sabe o quão complexo um ser humano pode ser, até que você decida conhecê-lo.


Trata-se de um processo de descoberta delicioso, com suas boas e más surpresas, com seus aprendizados e suas benesses. E foi pensando nisso, que descobri a coleção que pretendo realmente fazer.


Não abandonarei a ideia de ter algumas bonecas russas. Mas o que desejo mesmo colecionar são memórias. Quero juntar pensamentos, lugares, situações, risadas, cheiros, vozes, fotos, abraços, imãs de geladeira e tudo o que me ajudar a fixar minhas memórias. Quero adesivar os lugares por onde passo em minhas retinas, para que sempre me acompanhem, para que estejam disponíveis para quando eu precisar deles.

Quero lembranças que me façam sorrir quando meus dias se tornarem tenebrosos. Porque descobri que esses períodos sempre aparecem e que é um tolo aquele que passa a vida na esperança de não sentir-se nostálgico ou triste. Quero ferramentas para lidar com a dureza desse abrir e fechar de olhos que é a vida. Quero colecionar memórias, para enfeitar o Fantástico Mundo de Fernanda: um lugar maravilhoso, para onde eu gosto de ir e onde sempre me sinto em paz, lá onde o pensamento faz a curva.

E será com muito orgulho – espero em Deus – que vou mostrar minha coleção de memórias para minhas filhas e os filhos de minhas filhas. Vou poder contar histórias e falar de coisas que aprendi, de coisas que vivi e dar conselhos vãos. Espero sinceramente ter muitos itens em minha tão querida coleção e poder me orgulhar desse ato divino, sofrido e tão recompensador que é Viver.


Desejando exatamente o mesmo a você, leitor querido, me despeço.


Beijinhos


Fê Coelho

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Um semáforo, algumas memórias e a vida



Escrever é algo realmente curioso: você passa dias procurando um motivo e ele te encontra, assim, de graça, num semáforo, enquanto dirige para buscar a mãe no trabalho. Ou seja: os motivos para escrever estão onde menos se espera. E foi o que ocorreu hoje. O gatilho dessa crônica é - pasmem - uma fonte luminosa. Não uma fonte qualquer:  a situada na praça que hoje leva o nome de Deputado Abílio Wolney, mas que há alguns anos (não entremos em detalhes) recebia a alcunha despretensiosa de Praça do Ancião.

Recordei-me, nesse pequeno momento entre a luz vermelha e a verde, das tardes gastas andando de patins na praça. Lembrei-me da sombra, das árvores e do algodão doce aos domingos. Relembrei a estátua austera e - de alguma maneira - frágil do ancião no centro da praça e os leões localizados em outro ponto, de cujas bocas deveria saltar água, mas que a bem da verdade só serviam para me assustar. Revivi a sensação infantil de descoberta e de liberdade, de estar em um dos melhores lugares do mundo. E quase pude ver novamente uma das imagens que eu sempre supus ser o retrato do bom entendimento entre cônjuges: minha mãe deitada no banco da praça, com a cabeça no colo do meu pai, resolvendo palavras cruzadas, enquanto ele prestava atenção a ela, às letras, aos filhos e distraidamente fazia um cafuné.

E pensei sobre as missas de domingo, depois das quais a pipoca nos aguardava; sobre a macarronada com queijo ralado e o refrigerante caçulinha; sobre as vezes em que brincamos de baralho, chicote queimado ou qualquer outro jogo com meus pais. E dei-me conta de que embora nossa infância não tenha sido luxuosa, foi  confortável. Tivemos anos pródigos em amor, em uma convivência próxima e acolhedora, em uma sensação ímpar de pertencer, de ser aceito pelo que se é. Tivemos, eu e meus irmãos, uma criação baseada em verdade e respeito, em coisas que não se passa por método diferente da experiência (no sentido de experimentar, mesmo).

Refleti, nesse pequeno instante, entre o trocar de luzes, sobre o quanto essas coisas foram determinantes para que eu seja quem sou - como ser humano, mãe, profissional e (por que não?) escritora. E cheguei à obvia e feliz conclusão de que meus passos foram guiados por sorte e amor, livre de alguns percalços, vítima e agente de outros.

Foi quando aconteceu algo que me faz muito feliz: senti-me absolutamente grata por minha vida e pelo amontoado de acontecimentos que sou. Senti gratidão pela minha história, por meu aprendizado e pelos dias que ainda virão. Sorri, desejei sinceramente que todas as crianças possam ter uma infância como a minha, vi a luz verde no semáforo, engatei a primeira marcha e segui a vida. Tudo como deve ser.

Beijinhos
Fê Coelho

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Comemoremos!



Vez em quando, gosto de me fazer algumas perguntas. Gosto de questionar o motivo de eu fazer ou deixar de fazer algo e hoje, na iminência dos quinze mil acessos, voltei a me perguntar: por que diabos estou nessa de escrever? A resposta continua parecida com a anterior. Um pouco mais refinada e mais sincera, talvez.

Escrevo porque simplesmente não posso viver sem isso. Viciei-me nas palavras e estou irrecuperavelmente fadada a fazer reflexões e confissões - retratos de alma em forma de letras - até quando minha sanidade mental permitir. Componho textos porque em vários momentos meus pensamentos transbordam, porque eles não conseguem se aquietar. Faço isso porque não consigo pensar em outra maneira de ser.

Talvez o motivo principal seja pura e simplesmente o seguinte: escrevo porque isso me faz feliz.

Deixo aqui o meu mais profundo agradecimento a todos os meus leitores (acho muito chique dizer isso... hahahahahah). Agradeço a cada um que acompanha minhas ideias malucas e que trata com tanto respeito essas palavras que eu deixo por aqui.

Um beijo enorme
Fê Coelho



domingo, 14 de agosto de 2011

Os outros filhos que me perdoem...



Hoje quero falar do que está todo mundo falando. Quero me juntar à turba do "Feliz dia dos Pais". Não porque não tenha uma certa agonia de fazer tudo igual a todo mundo, mas porque não haveria maneira de passar o dia sem colocar em linhas as coisas que gostaria de dizer e que, se apenas ditas, se perderiam no momento em que eu as pronunciasse. Hoje eu quero o registro, para consultas posteriores e para que fique publicado: Deus me deu o melhor pai do mundo!

Desculpem-me os outros filhos, ou os outros pais. Não quero causar polêmica ou incitar a inveja com essa afirmação, mas ela é verdadeira e posso, com uma argumentação lógica, explicar meu ponto de vista.

Quando digo que ganhei de presente o melhor pai do mundo, não quero dizer que ele o seria para qualquer outro ser humano. Afirmo apenas que para mim - considerando as minhas necessidades e limitações, levando em conta minha trajetória de vida e todos os outros fatores - ele é o mais adequado, o que mais funciona e o que eu escolheria se me fosse dada a oportunidade. Vamos falar dos meus motivos.

Meu pai é Homem, assim, com "h" maiúsculo, como dizem por aí. Ele é responsável, íntegro, leal, companheiro. Sabe aquela pessoa em quem você simplesmente sabe que pode se apoiar, porque ele está lá e é firme? Sabe aquela pessoa que você sabe que não vai balançar quando a hora difícil chegar? Sabe aquela pessoa que você sabe que literalmente "vai segurar o rojão quando o bicho pegar"? Pois é. Esse é o meu pai. Ele é líder, é o esteio da casa. Ele é aquela parte da família com quem a gente simplesmente sabe que pode contar.

Meu pai cuida. Ele se preocupa com o bem estar das pessoas da família. Se preocupa quando um filho está passando por um pedaço difícil. Ele se importa com os vínculos entre nós. Meu pai se desvela em cuidados sempre que um de nós precisa. Meu pai se doa. Ele se entrega, sem cobrar, pacientemente. Meu pai sabe servir à família que ele criou.

Meu pai sabe se fazer respeitar. Com tanta doação, algumas pessoas poderiam pensar que tenho um pai "banana". Nenhuma afirmação poderia ser mais errada. Já disse, dois parágrafos acima, que meu pai é Homem. Ele não se impõe pela força, mas sua postura é firme - o que não deixa espaço para a falta de respeito. Ele se faz respeitar por suas atitudes e, na minha opinião, essa é a maneira mais bonita de se respeitar uma pessoa. Porque respeito não deve ser confundido com medo. Essas são entidades diferentes. Não temo o meu pai, mas respeito suas palavras, seus ensinamentos, seu modo de vida e suas opiniões.

Meu pai erra. Ele não é perfeito e nem infalível. Já passei da fase de imaginar que os erros não aconteçam, né? Mas o importante é que, quando erra, ele reconhece o fato. Os erros cometidos pelo meu pai são dele. Ele se responsabiliza pelo fato e, quando necessário, pede desculpas. Meu pai, com isso, me ensinou a assumir o que faço, a ser responsável pelos meus atos.

Ele é verdadeiro. Com meu pai é assim: "pão, pão, queijo, queijo". Às vezes chega até a ser engraçado. O tal do meio termo é um ponto difícil pra ele. Ele gosta das coisas certas, das pessoas íntegras. Se não for assim, fica difícil.

E agora entramos na parte mais importante de todo o texto. Meu pai me ama. E não acho que outra pessoa teria a capacidade de me amar da mesma maneira, com a mesma intensidade, com o mesmo comprometimento (empatando com ele, entra minha mãe, né). Meu pai me aceita e me respeita. Meu pai me conhece. Ele sabe dos meus pontos fortes e fracos e não me diminui ou enaltece além da conta por nenhum desses aspectos. Meu pai sabe até onde pode ir comigo. Ele sabe até onde a corda pode ser esticada sem romper.

E tudo isso que eu falei mudou, inclusive o meu relacionamento com Deus. Se meu pai, que é humano e falível, pode todas essas coisas aí, o que não haveria de ser o meu relacionamento com Deus, que me ama além de todas essas coisas?

E é por isso que tenho tanto a agradecer.

Os outros filhos que me desculpem, mas eu tenho o melhor pai do mundo!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Novo selinho


Estou devendo essa postagem há uns dias, né Rafael? Ganhei esse mimo do Blog De Letras e Sentimentos. Fiquei muito feliz. Só demorei pra postar porque as coisas andam meio confusas por aqui. De qualquer maneira, quero agradecer a lembrança.

O que tenho que fazer:
Postar o selo no Blog e indicar mais três pessoas para receberem o mimo.

Seguem os indicados:

Pensamentos - do André.
Pétalas de Pensamentos - da Pétala
Beautiful Butterfly Woman

Beijo grande pra todo mundo
Fê Coelho

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Esse é pra comemorar!

Estou comemorando, rindo de orelha a orelha. Cheguei aos cinco mil acessos no blog.
Pode ser que as pessoas, sabendo do fluxo de informações internet afora, estejam até rindo da minha cara, mas, para mim, cinco mil acessos conta muito. Sabem por quê?

Porque quando uma pessoa escreve, ela põe seus sentimentos organizados em agrupamentos de palavras e, convenhamos, nem sempre isso é fácil. Dá trabalho, a gente se expressar da maneira correta. Até porque sempre há uma maneira melhor de fazê-lo. Daí vem outro trabalho: o de aceitar o que se escreve. O editor interno de qualquer escritor é razoavelmente cri-cri, para dizer o mínimo. E tem o senso do ridículo: um inferno. Quem aí escreve e já pensou em deletar tudo? Quem já se frustrou diante de uma tela em branco e uma ideia na cabeça? Quem já teve uma ideia que se recusou a virar palavras?

Pois passei por tudo isso e mais um pouco. Já escrevi rindo, já postei chorando. Já li e reli alguns textos que por um ou outro motivo são muito especiais. Já mandei meu editor interno pro inferno e agora escrevo com um pouco mais de liberdade.

Percebi, neste tempo de blog, que algumas pessoas passam e não voltam. Outras não passam, elas ficam e te fazem companhia. Algumas pessoas só acham interessante, outras enxergam suas mudanças, compreendem suas entrelinhas.

Sendo assim, eu queria agradecer a todos os meus leitores. Gente do céu, que coisa mais chique: meus leitores, assim com a boca cheia. Queria agradecer a todos que, com paciência, participam desse meu mundo maluco e  encantado de sonhos e palavras.

Um beijo enorme pra todo mundo.
Fê Coelho

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

De como percebi a diferença entre agradecer e se sentir grato



  Há algum tempo me aconteceu um momento de contemplação. Havia chegado do trabalho cansada. O dia fora longo e os pacientes exigentes. Foi necessário contornar um ou dois problemas e distribuir alguns sorrisos a mais – alguns demandaram mais esforço, outros menos. Sempre canto no caminho para o metrô, mas naquele dia nem uma notinha se manifestou – nem mesmo a marcha fúnebre. Estava vazia, esgotada de verdade. A sensação desses dias é de que deixei tudo com as crianças no trabalho, de que me esvaziei por completo. Cem por cento de doação.

Chegando a casa, rotina normal. Meu marido estava na sala, assistindo a um reality show, desses em que a equipe constrói uma casa em uma semana para alguma família cheia de problemas. Pensei: todo mundo tem problemas, mas nem todo mundo ganha uma casa. Ai que fome. Meu marido e eu fomos a uma dessas carrocinhas de cachorro quente, pioramos a situação de nossas artérias e fomos buscar as meninas numa festinha de aniversário.

Festinha animada. As crianças estavam eufóricas. Saíram, as duas, com uma coroa de princesa e um pote de guloseimas cada – um clássico das festas infantis. Voltando para casa, chegou o momento de lidar com o choro. A quantidade de sono de uma criança e o número de decibéis do choro é diretamente proporcional. Paciência. Crianças não têm como lidar com irritação da mesma maneira que os adultos deveriam. Para a mais nova, um banho rapidinho, mamadeira, fralda e pijaminha – do Mickey. Para a mais velha, o mesmo pacote, com exceção da mamadeira e da fralda.

Foi então que meu humor começou a mudar. “Mamãe, posso deitar na sua caminha”, a minha caçula pediu. “Claro, filhota”. Exceção à regra. Meu marido levantou a sobrancelha. Eu ignorei. Fiquei ali, deitada, com os bracinhos da minha pequena ao redor do meu pescoço. A perninha dela descansava sobre o meu quadril. Pude observar o movimento leve dos seus olhos – aparentemente já estava sonhando. Fiquei maravilhada com a maneira como sua boquinha entreaberta deixava entrever os dentes, com o desenho das sobrancelhas e as curvas das bochechas, com o som de sua respiração, com o toque macio dos seus cabelos. Admirei minha filha com todos os meus sentidos, tentando guardá-la daquele jeito na memória. Foi quando observei que havia me emocionado. Chorei diante daquela parcela de paz, da serenidade que se pode experimentar quando se está disposto a isso. Percebi que raras vezes dei tanto valor a coisas que não havia perdido.

Valorizei a integridade do meu corpo e minha capacidade de raciocinar e amar. E me senti grata pelos meus problemas diários, pelo meu trabalho e, especialmente e primordialmente, pela minha família.

Coloquei minha pequena no berço e passei para a rotina de sono da mais velha. Rezar e cantar. E desta vez, a parte dos agradecimentos foi mais extensa. Percebi que temos muito a agradecer. Não porque é de praxe, mas porque tive, naquele dia, uma pequena amostra da maravilha que é o sentimento de gratidão. Rezamos e ao colocar minha outra filha na cama, cantei uma das suas canções favoritas: Como é grande o meu amor por você.

Suspirei e me permiti ser, por uma noite, apenas feliz.


Foto: Public Domain Pictures


Beijinhos
Fê

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Agradecimento

Viram o meu banner novinho em folha? Pois é. Essa postagem se destina exclusivamente ao agradecimento.


Metall, querido (acho que ele não vai gostar da parte do querido. hahah)
Muitíssimo obrigada pelo banner lindão. Ficou maravilhoso e, sinceramente, quanta eficiência.


Só um pedido: não se candidate Nunquinha da Silva. Vai que você fica ruim em cumprir promessas. Hauhauhauhau.


Obrigada mesmo.
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