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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Feitiço Mais que Medonho



As crianças na enfermaria estão trabalhando a temática do Halloween. Eu não resisti e escrevi um poema para alegrar a tarde da galerinha


Feitiço mais que medonho

Dente de tubarão
Pata de morcego
Que eu faça injeção
E nenhuma criança tenha medo

Rabo de lagartixa
Cara de sono e de tédio
Que nenhuma criança dê birra
Na hora de tomar remédio

Casca de ferida
Mistura tudo e já era
Que todas essas crianças demorem pra arrumar paquera

Dragão sem dente
Asa de barata falta
Que nenhum paciente hoje saia de alta

E que tudo seja sempre assim
Noite e dia
Que nossa enfermaria seja uma alegria sem fim

Beijinhos
Fê Coelho

terça-feira, 1 de maio de 2012

QSF



Que Se Fale a verdade
Que Se Firme a paz
Que Se Fuja do terror
Que Se Fortaleça a fé
Que Se Fabriquem sorrisos
Que Se Felicitem os homens
Que Se Finde o choro

Que Seja Forte
Que Seja Ótimo
Que Seja Decidido
Que Seja Adequado
Que Seja Feliz
Que Seja Ouvinte
Que Seja Dedicado
Que Seja Ameno
Que Seja Firme
Que Seja Ontem
Que Seja Direito
Que Seja Análogo

Que Se Fabriquem pessoas em série
Que Se Fie na palavra
Que Se Fale o mínimo
Que Se finja estar Feliz

Que se FFFFFFFFFFFaça Silêncio!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Algumas vezes



Algumas vezes acontece.
Acontece de um poema me pegar pelas pernas
E suas palavras fazerem sentido e me encantarem como jamais acontecera

Algumas vezes acontece de meus olhos sorrirem
Sem que eu diga palavra alguma,
Sem que meus lábios esbocem a menor contração

Algumas vezes reconheço a ternura em ideias
E acho que isso é algo adorável
E desejo que essa ternura faça parte de mim
Dos meus amigos
Da minha vida

Algumas vezes as palavras aparecem em versos
Sem rima
Sem métrica
Pelo capricho de ser estrofe

Algumas vezes, só algumas vezes
Assusto as pessoas por dizer exatamente o que penso
Sem modular os conceitos
Sem polir as palavras
Sem me importar
Sem cuidar
Sem querer
Sem dar a mínima

E me sinto meio diferente
Destoante
Pensante
Meio estranha e muito conformada

Porque essas coisas só acontecem de vez em quando
Só algumas vezes

Beijinhos
Fê Coelho

sábado, 14 de maio de 2011

Impressões.


O parque, o céu, o poente. Uma subida.
Crianças, cães, patinetes. Sombra.
O lago, os patos, as migalhas. A ponte.

Os pensamentos, as dúvidas, os compromissos. A lua.
O barulho dos tênis, as risadas, as conversas. O vento.
A bola de vôlei, a areia, a rede. O jogo.

As curvas, o riacho, o frio. A noite.
As luzes amareladas, as árvores, os passos. A calma.

O banco de praça, o coco, a pelada. As estrelas.
A respiração, o sabor, a vida.
E no meio de tudo isso, a paz!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Encomendas


Tragam-me a praia, com areia branca, água fresca e vento cálido.
Tragam-me o sol, a maresia e uma cerveja gelada.
Deixem-me espreguiçar e sorrir à toa.

Tragam-me lençois de água límpida, com peixinhos coloridos.
Tragam-me um vestido branco esvoaçante, um chinelo de palha e todos os clichês.
Deixem-me brindar a calma e sorver a vida aos tragos.

Porque já estou de malas prontas.
Porque já estou de saco cheio.
Porque quero tudo e sem demora.
Porque, Deus do céu, estou escrevendo em versos.

Tragam-me uma praia gelada, uma cerveja límpida, um chinelo branco e um vestido de palha.
Porque a autora aqui já está pirando.
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