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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Rala, superego, que meu id vai passear!


Superego querido.

Você que fica aí entocado em algum lugar escondido da minha própria cabeça, se insinuando vez em quando (ou vez em sempre), me censurando e deixando muito claro o que eu não devo fazer em hipótese nenhuma, sob pena de sanções terríveis, prepare-se.

Não é uma ameaça, meu pequeno déspota interno, o que vou te fazer. É antes um aviso justo de uma pessoa que, por um tempo enorme só lhe deu ouvidos: ponha as barbas de molho, superego, que meu Id anda querendo passear. Sim, essa parte inconsequente, que você deu um jeito de trancafear, de alguma forma andou descobrindo um jeitinho de pôr o nariz de fora. E aí, meu amigo, você já sabe, a confusão está armada!

Vez e outra, quando você está desavisado, ele vem na pontinha dos pés e me sugere que pire, faça algo errado, só pra variar. Vou te contar uma coisa e você acredite: meu id tem uma voz macia, leve e convincente. Ele é muito mais gentil que você, com essa sua cara sisuda. E mais: ele é engraçado! Quando ele se vai, deixando um monte de caraminholas espalhadas pelo caminho, me ponho a rir sozinha. Ele é tão divertido!

Bem. Aí você aparece, trazendo logo uma vassoura, pá e material de limpeza, junta todas as possibilidades que, tão caprichosamente o meu id espalhou, me olha com uma cara de reprovação e me põe de castigo. E o pior de tudo: eu vou! Bufando de raiva, mas vou.

Sei que nesse exato momento você deve estar aí esfregando as suas mãos, sentado em uma poltrona de espaldar alto e rindo da minha cara.

E é exatamente por isso que vou te avisar mais uma vez: amarre as calças, superego querido, que meu id anda passeando por aí. E mais: existe uma chance que eu o deixe livre de vez em quando!

Beijinhos
Fê.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Por que diabos estou nessa?

Por que diabos estou nessa de escrever? Foi a pergunta que me fiz ao ler um artigo do Raphael Draccon - autor da série Dragões de Éter - no blog Sedentário Hiperativo. No texto, o autor discorre sobre os motivos pelos quais escreve e lança a pergunta que ficou me agoniando por dois dias: por que eu tenho que escrever? Talvez, para contar o porquê de eu estar nessa, tenha que contar como entrei nessa. Vamos lá, então.

Sempre gostei de escrever, desde os tempos do ensino fundamental. Mas puxando a história pelo mais recente, comecei a escrever para me livrar de alguns pensamentos fixos. Um dia eu estava indo ao banco, quando uma moça de cabelos cor de chocolate, dona de uma livraria veio me contar que se apaixonara perdidamente por um pianista órfão, lindo de morrer, perfeito e, bem, por algum motivo que eu não sabia dizer, eles não estavam mais juntos. Ela me deu um parágrafo inteiro e minha missão era: descobrir o motivo da separação e resolver a história. Surgiam aí meus dois primeiros personagens: Rafaela e Marco. O que se seguiu a esse dia foi uma série de sonhos e pensamentos diurnos que me deixaram estressada. Como eu ja começava a ficar chateada com o fato de não saber quem a Rafaela era ou o motivo de ela terminar um relacionamento com um homem ótimo, resolvi escrever, pra ver se esquecia. Hahahah. Foi aí que eles me pegaram pelos pés meeesmo. Apareceu uma família, amigos e um monte de outras coisas. Tá certo que todos eles entraram na geladeira depois do surgimento da Carolina (A Encantadora de Palavras)

E aconteceu que, no meio desses personagens exigentes, acabei me encontrando. Me divirto com eles, rio na frente do computador, me estresso e passo um bom tempo vivendo seus problemas e soluções.

Mas dizer que escrevo porque os personagens me exigem, parece: 1- um motivo muito fraco pra gastar meu tempo nisso; 2- esquizofrenia (em franca atividade). E é por isso que comecei a pensar melhor sobre minhas pulsões.

Queimei a mufa durante dois dias, como eu já disse e cheguei a uma conclusão: herança

Se eu for falar sobre herdar bens materiais, hoje minhas filhas não receberiam um pau pra tacar no gato. E, embora a estabilidade financeira dos filhos na falta dos pais figure no hall de nossas obrigações, o que se deve deixar para eles vai muito além disso. E enquanto não resolvo o problema de ser rica (hihih), vou deixando para elas algumas lembranças de mim. Algo como aqueles anéis de família, que a mãe passa para a filha e para as netas e por aí vai.

Quero escrever para que algum pedaço de mim possa sempre estar com minha família, nem que seja um pensamento que virou papel. Pretendo deixar algo de que possam se orgulhar, depois que já tiverem se divertido bastante. Claro que, afirmando isso, parto do pressuposto que minhas histórias são boas. hahahah. Bem, fato é que, escrevendo para elas, eu capricho e graças ao bom Deus, elas gostam.

Quem sabe, daqui a alguns anos, ainda haja alguma história "da bisa" ou da "tata" correndo por aí.


Beijinhos
Fê






quarta-feira, 28 de julho de 2010

Sobre o temperamento de alguns livros

Hoje eu estava lendo alguns blogs, tentando me situar nessa coisa aqui - que para ser sincera se revela mais melindrosa e divertida do que o esperado. São muitas ferramentas e gadgets e templates e links e uma lista interminável de palavras e recursos que eu espero conseguir dominar ao longo do tempo. Na pior das hipóteses, vale a tentativa e o exercício.

Enquanto eu passava de um blog para outro, encontrei algo com que me identifiquei. No blog http://mundodefantas.blogspot.com/, a autora faz algumas resenhas interessantes. Mas o que mais me chamou a atenção foi a maneira como ela apresenta seus contatos com os livros. Segundo ela, os melhores livros são os que a encontram. E a autora segue tratando da maneira como os livros, das prateleiras, pedem a ela para serem lidos.

E por que é que eu estou falando disso? Bem. Provavelmente porque o mesmo acontece comigo.

Tenho uma dificuldade enorme em ler aquele livro "que está todo mundo lendo" ou aqueles que "você teeeem que ler". Não sinto que teeenho que ler nadica de nada. Aliás, só consigo ler esses livros que estão na moda, quando a febre passou. Apenas quando o livro, cansado de tanta gente brigando por ele, procura uma leitora talvez um pouco desinteressada ou cética. Como se fosse o bonitão da turma que acaba por namorar uma menina que não dá a mínima pra ele. Perdoem-me a comparação ridícula, mas não me ocorreu algo melhor.

Fato é que quando entro numa livraria, gasto um tempo enorme olhando para as estantes. Mexo, olho, leio as orelhas e demoro um tempão para me decidir. Então acontece: um livro pisca para mim e. Algumas vezes eu até tento procurar outro, mas esses livros que nos escolhem têm uma tendência a serem temperamentais. Fazem birra, e se jogam da prateleira, diretinho nas nossas mãos impotentes.

Aí já era. É só passar no caixa e levar o pimpolho para casa.
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