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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Escritora com Nome de Bicho



Era a escritora miudinha. Pequenininha, com um ou dois degraus subidos, mas com uma vontade enorme de conhecer a escada. Era a escritora miudinha, ainda tentando entender o processo. Peixe pequeno se aventurando fora do coral.

Tem sobrenome de bicho, essa escritora. E tem consigo essa simplicidade; esse não saber, que de tanto não saber acaba descobrindo alguma coisa. Não consegue usar as formas mais rebuscadas da língua. Não sabe jogar purpurina pra todo lado. Toda ela é meio assim, sem rodeios. Pensa o que quer dizer, sente a forma como quer que sintam e escreve. Descomplicada essa escritora com nome de bicho.

Já pensou que queria ser cantora, mas cantora não pôde ser. Não conseguia saber a diferença entre tons e ritmos, nem se adequar ao som. Mas ela sempre viu o pôr do sol em forma de texto. Sempre se encantou com tudo o que viu, com as histórias que encontrou e com as formas de contá-las. Gostava de poesia, aquela criança miudinha, e de livros, e de arte. Nunca soube classificar bem as coisas, mas sentia todas elas. Vive um eterno sentir, essa criatura.

E talvez seja por isso que ela escreve: porque sente além da conta; porque pensa e vira frase a cada esquina do caminho; porque transforma tudo em texto. Alguns ela guarda consigo, outros ela encerra no coração. Mas alguns ela manda espiar o mundo, como a pomba do dilúvio, meio que para saber se é seguro. E os textos obedecem. Fluem, saem e voam. Encontram corações e fazem morada. Ou ficam por apenas um segundo. Ou não ficam. Mas eles seguem viagem. E voltam trazendo notícias do mundo de lá.

Curiosa essa escritora com nome de bicho, que gosta de crianças; que quer ter sempre o olhar como o delas. E que, se dizendo escritora infantil, mesmo assim se sente em dívida de sinceridade com o amigo leitor adulto. Escritora teimosa que fala de tudo, mas que teima em não falar de amor.

Ah escritora danada. Aprende que não é você que escolhe as palavras; elas é que fazem morada no seu coração e passeiam pelos seus dedos. Aprende escritora com nome de bicho. Nessa brincadeira, você é sempre a pega.

Feliz dia do escritor.
Beijinhos
Fê Coelho

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Véspera - uma crônica sobre novos sonhos



A meio passo de realizar um sonho cultivado por anos, com empenho e olhos brilhantes, me pergunto: e agora, José? Sei que parece estranho; que a realização dos sonhos deveria ser uma espécie de guia nessa sequência de abrir e fechar de olhos que é a vida. Sei de todas essas coisas. Todavia, hoje, às vésperas de ver o fruto do meu trabalho, me questiono. E agora?

Véspera sempre foi uma palavra que me intrigou, desde criança: a véspera de natal, véspera de provas, véspera do aniversário. Ora, pareceu-me durante muito tempo que a véspera era mais importante que a data esperada em si. E não seria? Afinal de contas, até percorrermos os segundos pelos quais esperamos, tudo o que temos são possibilidades. Ah, leitor, o universo das possibilidades é encantador e amedrontador em medidas iguais. Tudo pode ser: bom ou ruim; realidade ou apenas monstros embaixo da cama. A véspera é aquilo que ainda não é palpável. É uma espécie de fronteira entre o que era sonho e o que se torna realização.

Disseram-me, uma vez, que eu estaria riscando um  item da minha lista, ao realizar um sonho. Acontece que não foi isso o que ocorreu. A possibilidade de conseguir algo há muito tempo esperado se tornou o index para inúmeras outras aspirações. É como se sentir um degrau sob meus pés houvesse me dado a certeza de que ali há uma escada - uma que eu sempre quis conhecer.

E é por isso que eu vou, leitor, mesmo sentindo uma pontinha de medo; mesmo correndo o risco de me decepcionar. Se tem uma coisa que andei aprendendo é que decepção é um risco que assumimos para viver bonito. Não há garantias. Nunca houve. Não há meios para saber até onde vai o caminho de cada um de nós. Porque a vida é assim mesmo, melindrosa, afeita às surpresas.

Traduzindo e citando livremente uma música de que gosto bastante, afirmo que que "não posso dizer onde a jornada vai terminar, mas sei onde ela começa". E ela começa aqui. Nesse ponto que não sei muito bem qual é, mas que sinaliza o início de muito trabalho e de uma busca por uma carreira que - acredito eu - vá se mostrar a mim, um degrau após o outro.

Esta não é apenas a véspera da realização de um sonho, mas do surgimento de tantos outros. E se isso trouxer o risco inerente da decepção, tudo bem. Porque mais importante que o sonho realizado e pronto, entregue prêt à porter, é a construção de cada um deles.

Muito mais bonitos que um sonho que se realiza, são os que nascem a partir daí.

E vamos em frente!
Beijinhos
Fê Coelho


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Escrever, por quê? Um texto sobre tempos bicudos



Se existe uma expressão que me tem procurado várias vezes, desde que me propus a escrever, é o tal do porquê. Com frequência maior que o razoável, surgem-me questionamentos acerca dos motivos para se fazer ou não algo. São dúvidas que surgem em diferentes momentos, por variados motivos e, não raro, vêm do convívio com os amigos, de alguma conversa ou pergunta direta.

Dentre essas questões, uma me intriga em especial, provavelmente pela minha incapacidade em respondê-la: por que escrever?

Em mais de um momento e por mais de um motivo, essa pergunta já me atazanou o juízo, fez perder a fome, o sossego, a concentração e, ainda assim, não tenho uma resposta. Sinto que escrever é como colher palavras: tal qual frutos no campo, elas estão disponíveis para quem as queira usar; entretanto, perecem. Imagino se isso possa estar relacionado à massificação das ideias, que a bem da verdade são a raiz de tudo quanto se escreve.

Enfileirar as letras, utilizar a gramática e criar um estilo que lhe seja próprio parecem-me as partes menos dolorosas do processo de criar um texto. O complicado é ter o que dizer. Talvez nem isso seja o mais difícil. Quem sabe o cerne de toda escrita seja a coragem de dar forma ao entendimento. E mais: creio que o fundamental seja assumir as próprias opiniões, sendo fiel, verdadeiro, justo, compassivo e, ai sim, viver de acordo com o que se acredita.

Convenhamos: numa época de padronização do pensamento, em que as pessoas tendem à superficialidade nas relações, discursos, atitudes e valores, encontrar quem queira refletir é cada vez mais raro. Numa de suas letras, o cantor Almir Sater - por cuja música eu sou absolutamente fascinada - diz "muita gente dá lição com cultura de almanaque". Não discordo. E nem digo que estou isenta. Talvez esse seja o ponto em que volto à pergunta que originou todo o texto: por que escrever?

Sinceramente, leitor, não sei. Continuo sem conseguir acessar essa resposta. Tenho alguns motivos que movem, como a necessidade de organizar o raciocínio, a inquietude da mente e algo como um "transbordar de vida" que me impele a colher palavras e colocá-las dispostas de uma maneira mais ou menos inteligível.

Escrever me faz bem. É a vida tentando virar arte, de um jeito pouco linear e muito pessoal. É o pensamento  atrevido e irrequieto querendo a todo custo ser página. É uma personalidade que do lado de cá da tela não se contém e pula a janela, foge da mente, se esvai pelos dedos, digita e se expõe. São as palavras, esses grilhões tão efêmeros quanto bolhas de sabão, aos quais nos atrelamos voluntariamente.

E se é verdade que tudo já foi feito, dito, pensado e escrito, perdoe-me o leitor por entregar mais do mesmo. São tempos bicudos.

O meu sincero agradecimento a todos pela companhia na iminência dos 50.000 acessos.
Beijinhos
Fê Coelho




quarta-feira, 25 de julho de 2012

Fazendo justiça: trecho do primeiro capítulo de A Encantadora de Palavras




Olá, pessoas queridas. 
Comemorando o dia do escritor, resolvi abrir mão de qualquer possibilidade de um dia inscrever meu livro em um concurso, entender que não será esse o caminho da querida Carolina - a verdadeira Encantadora de Palavras - e fazer justiça a ela. Talvez seja hora de compreender que posso estar sendo cruel com uma personagem tão dedicada ao espalhar das palavras. Uma garota que passou tanto tempo sendo escrita e que ainda hoje muda como as nuvens no céu não pode ficar mais confinada a bytes inertes numa pasta do meu computador.
Apresento a vocês, Carolina - a Encantadora de Palavras, uma menina quase comum, exceto por alguns detalhes. Esse é um trecho do primeiro capítulo do livro, que diga-se de passagem, ainda está (e desconfio que nunca deixe de estar) em revisão.
Beijo enorme a todos.
Fernanda Coelho

A Encantadora de Palavras
Capítulo 1
O começo do fim

Dizem por aí que quando uma criança dá o seu primeiro sorriso, em algum lugar, nasce uma fada. Se isso é verdade, eu não saberia dizer. Para ser muito sincera, não conheço nenhuma fada, nem sei de onde elas vêm. E, embora eu já tenha ouvido várias histórias sobre elas e a quantidade de coisas legais que podem fazer, até hoje nenhuma entrou voando pela minha janela.
O que sei é que, num lugar bem distante daqui, chamado Vale dos Sons, onde, segundo a lenda, o vento conversa com os morros, sempre que uma criança lia a sua primeira palavra, uma ponta de esperança brilhava e iluminava o rosto de uma menina muito estranha.
Carolina era mesmo uma garota diferente e todos em sua aldeia sabiam disso. Tinha os cabelos compridos e escuros como o céu das noites de tempestade, quando não se pode ver uma só estrela no firmamento. Seus olhos eram de um negro profundo, como um poço onde se pode jogar uma moeda sem, contudo, nunca ouvi-la chegando à água. Era magra e tinha os joelhos ossudos.  Parecia pálida, não como as heroínas presas em altas torres à espera de quem as pudesse salvar, mas tinha a pele clara o suficiente para conferir-lhe certa aparência frágil. Ela não era alta nem baixa. Seu sorriso, uma fileira de dentes brancos e pequenos, lembrava um colar de pérolas emoldurado por lábios em formato de coração. Não falava muito, nem pouco. O que realmente chamava a atenção em Carolina, era a sua maneira de olhar para o nada, como se conhecesse um segredo importante, como se enxergasse muito além do que se pode ver ou entendesse algo além do que se pode compreender. Vez por outra, ela ria baixinho, tendo os olhos perdidos em algo aparentemente sem importância, sem dizer nada a ninguém e todos se perguntavam “qual é o problema com ela?”
O que as pessoas na aldeia não sabiam é que Carolina escondia um segredo importante. Ela conhecia as palavras.
Talvez você esteja se perguntando “o que é que tem de mais nisso?” Não quero deixar você curioso, então vou contar toda a história.
Acontece que no lugar e no tempo em que Carolina vivia, dizer que uma pessoa conhecia as palavras era o mesmo que afirmar que uma fada entrara voando pela sua janela. Afirmar uma coisa dessas era o suficiente para causar tumulto, fazer as velhinhas perderem as contas dos bordados, as mães queimarem a sopa dos bebês, os homens errarem o corte do bigode e baixar sobre o Vale dos Sons um silêncio tão denso que poderia ser cortado como um pedaço de doce. Era um assunto sobre o qual não se falava, nem nas conversas mais íntimas nem nos protestos mais acalorados. Carolina vivia num mundo sem palavras, num lugar onde não havia histórias, registros, leis ou notícias; onde não existiam anúncios, faixas, provas, boletins, poemas, bilhetes ou listas de compra. Não existia dever de casa e nem cartas. Simplesmente não se via palavra, por onde quer que se passasse. Elas haviam acabado.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Agradecimento

Viram o meu banner novinho em folha? Pois é. Essa postagem se destina exclusivamente ao agradecimento.


Metall, querido (acho que ele não vai gostar da parte do querido. hahah)
Muitíssimo obrigada pelo banner lindão. Ficou maravilhoso e, sinceramente, quanta eficiência.


Só um pedido: não se candidate Nunquinha da Silva. Vai que você fica ruim em cumprir promessas. Hauhauhauhau.


Obrigada mesmo.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Por que diabos estou nessa?

Por que diabos estou nessa de escrever? Foi a pergunta que me fiz ao ler um artigo do Raphael Draccon - autor da série Dragões de Éter - no blog Sedentário Hiperativo. No texto, o autor discorre sobre os motivos pelos quais escreve e lança a pergunta que ficou me agoniando por dois dias: por que eu tenho que escrever? Talvez, para contar o porquê de eu estar nessa, tenha que contar como entrei nessa. Vamos lá, então.

Sempre gostei de escrever, desde os tempos do ensino fundamental. Mas puxando a história pelo mais recente, comecei a escrever para me livrar de alguns pensamentos fixos. Um dia eu estava indo ao banco, quando uma moça de cabelos cor de chocolate, dona de uma livraria veio me contar que se apaixonara perdidamente por um pianista órfão, lindo de morrer, perfeito e, bem, por algum motivo que eu não sabia dizer, eles não estavam mais juntos. Ela me deu um parágrafo inteiro e minha missão era: descobrir o motivo da separação e resolver a história. Surgiam aí meus dois primeiros personagens: Rafaela e Marco. O que se seguiu a esse dia foi uma série de sonhos e pensamentos diurnos que me deixaram estressada. Como eu ja começava a ficar chateada com o fato de não saber quem a Rafaela era ou o motivo de ela terminar um relacionamento com um homem ótimo, resolvi escrever, pra ver se esquecia. Hahahah. Foi aí que eles me pegaram pelos pés meeesmo. Apareceu uma família, amigos e um monte de outras coisas. Tá certo que todos eles entraram na geladeira depois do surgimento da Carolina (A Encantadora de Palavras)

E aconteceu que, no meio desses personagens exigentes, acabei me encontrando. Me divirto com eles, rio na frente do computador, me estresso e passo um bom tempo vivendo seus problemas e soluções.

Mas dizer que escrevo porque os personagens me exigem, parece: 1- um motivo muito fraco pra gastar meu tempo nisso; 2- esquizofrenia (em franca atividade). E é por isso que comecei a pensar melhor sobre minhas pulsões.

Queimei a mufa durante dois dias, como eu já disse e cheguei a uma conclusão: herança

Se eu for falar sobre herdar bens materiais, hoje minhas filhas não receberiam um pau pra tacar no gato. E, embora a estabilidade financeira dos filhos na falta dos pais figure no hall de nossas obrigações, o que se deve deixar para eles vai muito além disso. E enquanto não resolvo o problema de ser rica (hihih), vou deixando para elas algumas lembranças de mim. Algo como aqueles anéis de família, que a mãe passa para a filha e para as netas e por aí vai.

Quero escrever para que algum pedaço de mim possa sempre estar com minha família, nem que seja um pensamento que virou papel. Pretendo deixar algo de que possam se orgulhar, depois que já tiverem se divertido bastante. Claro que, afirmando isso, parto do pressuposto que minhas histórias são boas. hahahah. Bem, fato é que, escrevendo para elas, eu capricho e graças ao bom Deus, elas gostam.

Quem sabe, daqui a alguns anos, ainda haja alguma história "da bisa" ou da "tata" correndo por aí.


Beijinhos







quarta-feira, 21 de julho de 2010

Sobre o ponto final

Li, em algum lugar, que escrever é muito facil: começa-se com uma letra maiúscula e termina-se com um ponto final. E aí é que mora o problema. O ponto final.

A Encantadora de Palavras tem sido uma bélíssima distração para mim. Tem me acompanhado durante meses e me divertido. E, por incrível que pareça, a Carolina - personagem principal da história - conseguiu meu afeto. Gosto dela como se ela de fato existisse. Tá, vai. Isso ficou parecendo papo de mãe coruja, mas é meio que por aí mesmo. É exatamente por isso que seria uma injustiça enorme com a personagem construir para ela um final que não faça jus a tudo o que ela fez durante o livro.

E tem também o ato de terminar. Pode parecer que eu esteja ficando doida, e na verdade acho que tem um pouco disso mesmo, mas terminar seria me despedir dessa história. Fica uma insegurança e uma sensação de perda esquisitas. Insegurança porque, ao terminar, vou mandar a Carolina para mais uma missão: a de virar papel. E isso vem com um caminhão de outras preocupações, como se fosse o primeiro dia de aula do primeiro filho: medo de que não gostem dela ou de que a achem boba ou de que ela não se encaixe em nenhuma turma. Se bem que todos nós tivemos amigos e desafetos, não?

De qualquer forma, provavelmente, hoje escrevo o final dessa história. Provavelmente! E se no final das contas eu achar que fui injusta com a Carolina, sempre há a chance de refazer. Porque o papel em branco aceita tudo, não?
Então é isso. Ponto final, aqui vamos nós. \o/

Beijinhos


Uma pequena apresentação

Esse, provavelmente é o momento de me apresentar e justificar o nome do blog, não?Ok, então vamos lá.

Meu nome é Fernanda Gonçalves. Goiana, bem humorada, apaixonada pela vida e pela família. Uma otimista irrecuperável e entusiasta de tudo que seja novo (ou velho redescoberto). Tenho uma máxima: as melhores coisas são simples. E acabo por buscar a simplicidade em tudo o que faço e, principalmente, no modo como me relaciono com as pessoas. Gosto de música e canto o tempo todo. Sou viciada em ´"pôr o pé na roça" e em tudo o que seja verde. Tem vida, traz tranquilidade, tô dentro.

Agora, vamos falar sobre o nome do blog. A Encantadora de Palavras não sou eu, e sim uma invenção minha. Esse é o título de minha primeira história de verdade, assim, com começo, meio, fim e mais de cinquenta páginas. hehehe. Claro, eu tenho outras que não se encaixam nesses critérios, mas isso é outra história para outro pôr do sol.

A quem por acaso se aventure por aqui, fique à vontade. Espero que goste de minhas histórias e reflexões sobre o cotidiano, a vida e um monte de outras coisinhas.

Beijinhos
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