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Engraçado como as coisas simples têm a capacidade de nos ensinar, se estivermos dispostos a aprender. Divertido perceber como a singeleza pode ser sábia, para quem tiver os olhos atentos e o coração preparado para ver. Aconteceu comigo. De novo. Mais uma vez, algo simples e sem importância, a princípio, chamou-me a atenção e ensinou-me algo que há dias venho carecendo compreender: preciso simplificar a vida.
Há um tempo, tenho sentido a pressão para acertar. Acredito que boa parte dessa insistência em ser multifuncional seja originada em mim mesma, embora outra parcela seja decorrente de uma lista enorme a respeito do que se espera das pessoas. Disso resultou uma briga com o tempo, uma ansiedade para que ele se demore e a sensação de que o tique-taque do relógio não passa de chacota. Tentei me entender com o futuro mais vezes do que seria razoável. Busquei encaixar mais atividades do que poderia, numa agenda não muito espaçosa, por assim dizer.
O resultado? Alguns textos, horas de muito matutar (como se eu precisasse de pensamentos extras), ansiedade e uma preocupação exacerbada com o que eu deveria fazer, com coisas que precisaria desenvolver e o padrão em que deveria me encaixar.
Foi necessário comprar dois vasos de margarida baratinha, daquelas que custam três reais no supermercado, para que eu entendesse o quanto estava sendo imatura.
Talvez o leitor já esteja acostumado com essa minha forma de tirar ensinamentos maiores de coisas pequenas. Algumas pessoas até me sinalizaram esse costume peculiar e, graças ao Bom Deus, informaram que gostam disso. O que me faz sentir bem acompanhada em minhas divagações. Afinal de contas, seria meio solitário pensar que há poucos pirados vagando por aí. Voltemos às margaridas.
Elas foram adquiridas para conferir um certo colorido ao apartamento onde estou morando e, embora não sejam flores caras, raras ou glamourosas, me afeiçoei a elas. Ocorre que, devido à minha rotina dos últimos tempos - ou à falta dela - o cuidado com as margaridas se tornou difícil. Ficar fora de casa por quatro dias consecutivos representa a morte por desidratação para as pobres plantas.
Aí veio a constatação: se não consigo mais encaixar no meu dia a dia nem o cuidado com dois vasos de margaridas (ou seja, regar diariamente e deixa tomar um pouco de luz), como espero incluir outras atividades ou relacionamentos em minha vida? A questão é: não vai dar, produção!
Pode parecer derrotista, a constatação. Eu, entretanto, prefiro colocar aí uma lente nova: a da piedade. Prefiro ser compreensiva comigo mesma e aceitar que tenho limitações. Esse é um bom caminho para o respeito.
Quantas vezes as pessoas se tornam escravas dos planos que traçaram? Quantas vezes perdem a vida e as relações que já têm, para buscar aquilo que acreditam dever alcançar? Quantas vezes deixam de perceber a riqueza do que possuem, no afã de conseguir sempre mais e se descabelam numa luta constante com os próprios limites? Tenho cá uma quedinha para esse lado, mas não é esse o meu elã. Não é a busca desenfreada o que me prende à vida.
Não estou aqui defendendo que as pessoas tenham que se acomodar e passar o resto de seus dias aboletadas numa zona de conforto, tendo pena de si próprias até o fim dos tempos. Claro que os desafios são algo importante e absolutamente saudáveis. A conclusão a que cheguei é que se por um lado as conquistas dão sentido à vida, os limites conferem paz. E a paz de espírito é matéria prima de momentos mais felizes, sem os quais qualquer conquista perde o sentido.
Sei que chegará o momento de cuidar das margaridas, conotativamente falando. Sei que há o instante propício para cada movimento da vida. A questão é que muitas vezes a gente é a peça certa; o quebra-cabeça é que está errado.
Todos nós temos algo que nos incomoda mais que outras coisas. Alguma mania, um defeito, um sonho, um conceito. Não importa muito o que, mas fato é que temos conosco - de maneira mais ou menos manifesta, a depender da pessoa - uma série de pequenos (ou grandes) incômodos. Criatura mediana que sou, também tenho os meus. E recentemente andei ficando particularmente incomodada com uma situação: minha incapacidade para encaixar na minha rotina tudo o que penso que deveria estar fazendo.
Chega de mansinho esta noite, Morfeu, trazendo consigo meus sonhos mais lindos? Se aninha ao meu lado e canta uma canção nova, cheia de doçura e de novidade? Me fala de coisas que não sei se existem, de lugares novos e me ajuda a voar bem de leve, bem longe, bem livre?
Não tenha pressa, Morfeu, que a noite é toda nossa. Se demora, que a aurora está longe, que os sonhos ainda nem começaram. Derrama um bocadinho de areia em meus olhos e me embala, pra presente, pra entrega, pra viagem, pro que os sonhos quiserem. E fica aqui. Entre as cobertas, entre os segundos e além do tempo, fazendo o hoje virar ontem; fazendo o amanhã virar hoje. Sempre mais suave e mais belo.
Acolhe, Morfeu, meu cansaço e faz dele poesia.
E quando o dia raiar, se esconda. Vá embora levando consigo o som de minha respiração distraída, despreocupada. Deixa comigo essa espera por novos sonhos, por novos dias e por um amanhã reluzente de esperança. Tempera o dia com o sabor dourado do crepúsculo, quando provavelmente estaremos esperando um pelo outro.
Boa noite.
Fê Coelho
Tenho cá comigo que as pessoas têm a mania de serem regidas por números redondos. Essa coisa das décadas provoca em nós uma sensação de mudança, como se passássemos de fase num jogo cujas regras ninguém entende muito bem. Aconteceu comigo. De novo.
Alguns conceitos gostam de se revelar assim, do nada, numa manhã de quinta-feira qualquer. São ideias fugidias que vêm meio sem palavras, que se anunciam tão rápido quanto se retiram e podem fazer valer o dia. Estou falando de breves momentos de clarividência, daquele instante mágico no qual se compreende algo importante. Algo com o poder de mudar conceitos, fazer pensar ou - no mínimo - fazer sorrir.
Foi assim hoje. Sem que nada de especial (em tese) acontecesse, consegui formular um conceito do que para mim é a felicidade. Veja bem, estamos tratando de uma manhã sem qualquer atrativo especial: a primeira do inverno, um dia paradoxalmente quente, com céu limpo, sem vento ou novidades. Eu estava na cozinha da casa de meus pais, um lugar conhecido desde sempre, por cuja janela se filtra uma luminosidade dourada capaz de desenhar pequenos quadradinhos de luz no chão molhado, cheirando a produto de limpeza e tranquilidade. Minha filha correu para longe de mim, após devolver-me o copo vazio e ainda morno pelo leite. Ouvi música e entendi: a felicidade é uma janela que fica sempre aberta, mas sobre a qual nem sempre nos debruçamos.
Esse pode parecer um conceito estranho, mas para mim calhou perfeitamente. Visualizei-a como se estivesse exatamente à minha frente: uma janela aberta, por onde passa luz dourada e oblíqua, em cujos raios se pode ver suspensos os grãos de poeira num eterno balé. Mais adiante um campo, verde, florido e vivo. É como se ela sempre estivesse lá, mas passássemos apressados demais para prestar-lhe atenção. Até que um dia, numa manhã comum de uma quinta-feira qualquer, por algum motivo, eu tenha resolvido demorar-me à sua frente; como se houvesse resolvido me aproximar e olhar o que está contido em minha própria felicidade.
E me vi cheia de motivos para estar feliz. Pensei em minha família unida, bela e em paz; recordei os amigos, meu trabalho, ouvi a risada de minhas filhas e sorri. Estiquei meus braços, enchi os pulmões de ar, movimentei as pernas, peguei um brinquedo jogado no chão e agradeci. Senti-me profundamente grata pelo que sou e tenho, pela família em que fui inserida, pelas raízes que compartilhamos, pelos princípios que guiam minha existência e por cada uma de minhas memórias.
Penso que deve ser algo realmente triste, quando a pessoa se fecha muito demoradamente na escuridão do pessimismo, das reclamações e se foca sempre naquilo que falta. Isso faz com que não se consiga suportar a luminosidade de dias delicadamente felizes. Acredito que fizeram à felicidade uma grande injustiça, elevando-a a um patamar inatingível de bens ou sensações psicodélicas, quando - a bem da verdade - ela está o tempo todo esperando ser apenas reconhecida.
E é esse o ponto em que quero chegar, finalmente. A felicidade é simples por essência. Delicada e mansa, ela não necessita de tantos adereços quanto se prega por aí. Não é preciso que se faça da vida uma Drag Queen de anseios e sensações. Porque para ser muito sincera, acredito que a felicidade seja mesmo uma janela sempre aberta. Tudo o que precisamos fazer é escolher nos debruçarmos sobre ela.
Beijinhos
Fê Coelho
Conheço você desde que me entendo por gente. Aprendi a andar ao seu redor, ou seria para fugir de você? Aprendi a falar para te pedir alguma coisa, ou para contar à mamãe alguma maldade que você tenha feito comigo. Vá saber. O que importa mesmo é que em todos os marcos realmente importantes de minha vida, sua figura sempre se fez presente. Você sempre esteve lá, com esses seus olhos cor de mel e esse sorriso bondoso que quase destoa numa cara de onça brava que só você sabe fazer. E quando penso em nós duas, embora sejamos tão diferentes em tantos aspectos, é como se pensasse em uma coisa só, indivisível, única, uma bagunça que a gente entende tão bem e que não se desfaz.
Com você, amoreco, aprendi a brigar, a dividir e ceder. Aprendi a ouvir, a dar colo, a ser companheira e fofocar. Mas eu diria que uma das coisas mais divertidas que aprendi contigo foi não brigar. Recordo-me exatamente, como se fosse há quinze minutos, de ver sua imagem refletida no espelho, fula da vida, enquanto me ouvia dizer "olha, eu sei que você quer brigar, mas tenho uma novidade: eu não vou brigar. Se quiser, brigue sozinha". Nesse dia, adquiri o hábito de resolver se quero brigar ou não. E sei que te matei de raiva um milhão de vezes com ele. Acontece que brigar contigo nunca foi algo quem me agradasse, porque a bem da verdade, tudo o que eu sempre quis foi a sua aprovação.
Sempre te admirei, amore. Sempre vi em você um exemplo. Você era algo, assim, como uma força da natureza, nunca se conformando muito bem com as coisas, dando um jeito para que os resultados se moldassem à sua maneira.
E o tempo passou. E nessa sanfona maluca da vida, que afasta e aproxima as pessoas, de alguma maneira, sempre estivemos unidas por um amor que não se dissolve.
Hoje sei que tenho em você um lugar seguro para onde ir, sempre que quiser e precisar. Tenho em você uma amiga extremamente fiel, uma pessoa que sempre me lembrará quem eu sou e do que sou feita. Estou falando de raiz, maninha. Daquilo que realmente importa. Sei que sempre terei em você uma pessoa divertida com quem rir e alguém com quem praticar minhas patéticas tentativas de ser um remendo de psicóloga.
Te admiro muito. Pelas pequenas coisas e pelas grandes. Te admiro pela garra com que você abraça a vida, com que desempenha seu trabalho e pelo amor com que se faz mãe. Te admiro pelas palavras doces que entrega de graça, pelo carinho que tem com todos à sua volta, pela maneira com que põe a mesa e decora a casa e por todo o resto.
Obrigada pela amizade, pela fidelidade, por todo o seu amor e por todo o resto. Obrigada por meus sobrinhos e por me ensinar a beleza de se cuidar de duas crianças lindas e estragá-las à vontade - afinal de contas, as tias estão aí para isso mesmo.
Te amo muito mais do que poderia caber em um texto curto escrito por uma pessoa de vocabulário reduzido.
Beijo gigante.
Feliz Aniversário!
Fê
Plágio é crime e deve ser encarado como tal. A divulgação dos escritos é uma honra, mas os créditos são compulsórios.
Um espaço para dividir minhas crônicas, outros textos e percepções malucas.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Sobre margaridas, quebra-cabeças e respeito
Engraçado como as coisas simples têm a capacidade de nos ensinar, se estivermos dispostos a aprender. Divertido perceber como a singeleza pode ser sábia, para quem tiver os olhos atentos e o coração preparado para ver. Aconteceu comigo. De novo. Mais uma vez, algo simples e sem importância, a princípio, chamou-me a atenção e ensinou-me algo que há dias venho carecendo compreender: preciso simplificar a vida.
Há um tempo, tenho sentido a pressão para acertar. Acredito que boa parte dessa insistência em ser multifuncional seja originada em mim mesma, embora outra parcela seja decorrente de uma lista enorme a respeito do que se espera das pessoas. Disso resultou uma briga com o tempo, uma ansiedade para que ele se demore e a sensação de que o tique-taque do relógio não passa de chacota. Tentei me entender com o futuro mais vezes do que seria razoável. Busquei encaixar mais atividades do que poderia, numa agenda não muito espaçosa, por assim dizer.
O resultado? Alguns textos, horas de muito matutar (como se eu precisasse de pensamentos extras), ansiedade e uma preocupação exacerbada com o que eu deveria fazer, com coisas que precisaria desenvolver e o padrão em que deveria me encaixar.
Foi necessário comprar dois vasos de margarida baratinha, daquelas que custam três reais no supermercado, para que eu entendesse o quanto estava sendo imatura.
Talvez o leitor já esteja acostumado com essa minha forma de tirar ensinamentos maiores de coisas pequenas. Algumas pessoas até me sinalizaram esse costume peculiar e, graças ao Bom Deus, informaram que gostam disso. O que me faz sentir bem acompanhada em minhas divagações. Afinal de contas, seria meio solitário pensar que há poucos pirados vagando por aí. Voltemos às margaridas.
Elas foram adquiridas para conferir um certo colorido ao apartamento onde estou morando e, embora não sejam flores caras, raras ou glamourosas, me afeiçoei a elas. Ocorre que, devido à minha rotina dos últimos tempos - ou à falta dela - o cuidado com as margaridas se tornou difícil. Ficar fora de casa por quatro dias consecutivos representa a morte por desidratação para as pobres plantas.
Aí veio a constatação: se não consigo mais encaixar no meu dia a dia nem o cuidado com dois vasos de margaridas (ou seja, regar diariamente e deixa tomar um pouco de luz), como espero incluir outras atividades ou relacionamentos em minha vida? A questão é: não vai dar, produção!
Pode parecer derrotista, a constatação. Eu, entretanto, prefiro colocar aí uma lente nova: a da piedade. Prefiro ser compreensiva comigo mesma e aceitar que tenho limitações. Esse é um bom caminho para o respeito.
Quantas vezes as pessoas se tornam escravas dos planos que traçaram? Quantas vezes perdem a vida e as relações que já têm, para buscar aquilo que acreditam dever alcançar? Quantas vezes deixam de perceber a riqueza do que possuem, no afã de conseguir sempre mais e se descabelam numa luta constante com os próprios limites? Tenho cá uma quedinha para esse lado, mas não é esse o meu elã. Não é a busca desenfreada o que me prende à vida.
Não estou aqui defendendo que as pessoas tenham que se acomodar e passar o resto de seus dias aboletadas numa zona de conforto, tendo pena de si próprias até o fim dos tempos. Claro que os desafios são algo importante e absolutamente saudáveis. A conclusão a que cheguei é que se por um lado as conquistas dão sentido à vida, os limites conferem paz. E a paz de espírito é matéria prima de momentos mais felizes, sem os quais qualquer conquista perde o sentido.
Sei que chegará o momento de cuidar das margaridas, conotativamente falando. Sei que há o instante propício para cada movimento da vida. A questão é que muitas vezes a gente é a peça certa; o quebra-cabeça é que está errado.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Solta os doces, menina! Um conselho para a vida toda.
Todos nós temos algo que nos incomoda mais que outras coisas. Alguma mania, um defeito, um sonho, um conceito. Não importa muito o que, mas fato é que temos conosco - de maneira mais ou menos manifesta, a depender da pessoa - uma série de pequenos (ou grandes) incômodos. Criatura mediana que sou, também tenho os meus. E recentemente andei ficando particularmente incomodada com uma situação: minha incapacidade para encaixar na minha rotina tudo o que penso que deveria estar fazendo.
Ora, catando daqui e dali, podemos colecionar uma série de atributos que uma mulher de trinta anos deve exibir: ser educada, bem-resolvida, culta, fluente em pelo menos duas línguas, bem-paga, organizada, competente, pós-graduada, prendada, disposta, magra, reluzente, saltitante, sorridente, elegante, fashionista, decoradora, mãe, tia, professora, iogue, zen, pontual, engajada, sexy, capaz de resolver problemas e de gerenciar a casa a uma distância de anos e compromissos-luz, mantendo-se calma, serena, feliz, realizada. Eu disse que querem que a gente seja magra? Não sei se essa é uma tendência real ou se estamos apenas sob uma influência maciça dos meios de comunicação, com seus rótulos e uma lista infinita do "tem que, pra ser feliz".
Pois sim, eu caí nessa armadilha. Comecei a cobrar de mim um desempenho impossível, o que gerou alguns dias de frustração até o momento em que entendi: uma mulher pode fazer tudo - absolutamente tudo o que se propuser a fazer; mas não pode fazer tudo ao mesmo tempo. Às vezes é necessário soltar uma das pontas, para que se possa segurar as outras com firmeza. Caso contrário, não conseguimos fazer nada direito. E não há mal nisso. É apenas uma questão de prioridades. O que me fez lembrar de um sermão que ouvi há alguns anos.
Disse o Frei Domingos, pároco da igreja que eu frequentava na adolescência - um padre italiano parecidíssimo com o São Nunca de uma campanha publicitária antiga - que certa vez uma criança ficou com a mão presa num pote de doces. Incapaz de retirá-la do recipiente, começou a chorar. O pai veio, avaliou a situação e depois de muito tentar, entendeu o problema. Não adiantaria forçar a situação. Ou se quebraria o pote, ou se machucaria a criança. Sua sugestão: "Filha, solte os doces." A criança teria chorado, porque não queria soltar as guloseimas, mas ao final acabou cedendo e tirou a mãozinha ilesa de dentro do pote.
Foi sobre isso que me peguei pensando hoje. Quantas vezes enfiamos nossas mãos em potes e tentamos agarrar tudo o que há la dentro? Quantas vezes nos jogamos na vida com essa ânsia de querer tudo para agora, para ontem, para a semana passada? E querer absolutamente tudo! E que angústia é essa que nos faz acreditar que só poderemos ter os doces se eles estiverem bem firmes, em nossas mãos? Acaso o Pai não pode nos dar os doces de outra forma? Ou não podemos pegar um por vez, até que tenhamos esvaziado o pote?
Talvez seja falta de maturidade, querer tudo de uma vez só. Tenho certeza de que pessoas mais vividas, maduras e espertas que eu entenderam que podem priorizar, sem que isso represente uma perda. Escolher o que se quer fazer no momento é uma forma de administrar as várias facetas dessa arte chamada vida.
Não que o processo ocorra sem algum desconforto. Vez ou outra tenho a vontade de pegar todas as preocupações de volta e passar a agir como se tudo dependesse de mim. Soltar algumas coisas gera angústia. E é nesses momentos que preciso me lembrar da história do pai dizendo pra filha "solta os doces". E entendo o recado: não fique tão preocupada, filha. Vai dar tudo certo. Faça uma coisa por vez, sem desistir e quando perceber terá feito tudo.
Não que o processo ocorra sem algum desconforto. Vez ou outra tenho a vontade de pegar todas as preocupações de volta e passar a agir como se tudo dependesse de mim. Soltar algumas coisas gera angústia. E é nesses momentos que preciso me lembrar da história do pai dizendo pra filha "solta os doces". E entendo o recado: não fique tão preocupada, filha. Vai dar tudo certo. Faça uma coisa por vez, sem desistir e quando perceber terá feito tudo.
E eu vou aprendendo. Aos poucos. Um doce por vez. Em alguns momentos de impaciência tentando checar se posso encher a mão e descobrindo que sim, eu posso, mas isso não há de me levar a lugar algum.
E vou entendendo. Posso fazer tudo, mas não tudo ao mesmo tempo.
"Solta os doces, filha. Confia."
"Tudo bem, Pai. Eu confio"
Que todos tenham um dia de paz
Beijinhos
Fê Coelho
Que todos tenham um dia de paz
Beijinhos
Fê Coelho
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Um Bilhete a Morfeu
Chega de mansinho esta noite, Morfeu, trazendo consigo meus sonhos mais lindos? Se aninha ao meu lado e canta uma canção nova, cheia de doçura e de novidade? Me fala de coisas que não sei se existem, de lugares novos e me ajuda a voar bem de leve, bem longe, bem livre?
Não tenha pressa, Morfeu, que a noite é toda nossa. Se demora, que a aurora está longe, que os sonhos ainda nem começaram. Derrama um bocadinho de areia em meus olhos e me embala, pra presente, pra entrega, pra viagem, pro que os sonhos quiserem. E fica aqui. Entre as cobertas, entre os segundos e além do tempo, fazendo o hoje virar ontem; fazendo o amanhã virar hoje. Sempre mais suave e mais belo.
Acolhe, Morfeu, meu cansaço e faz dele poesia.
E quando o dia raiar, se esconda. Vá embora levando consigo o som de minha respiração distraída, despreocupada. Deixa comigo essa espera por novos sonhos, por novos dias e por um amanhã reluzente de esperança. Tempera o dia com o sabor dourado do crepúsculo, quando provavelmente estaremos esperando um pelo outro.
Boa noite.
Fê Coelho
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Aos Trinta Anos
Aos dez anos, embora não soubesse explicar, havia uma sensação de importância ingênua, uma excitação por usar o conteúdo de duas mãos pra dizer minha idade, como se isso fosse uma espécie de indicativo entre quem era criança e quem era muito criança. Aos vinte anos, eu me senti adulta. Céus, como eu me achava interessante, madura, pronta para dar conselhos e espanar pra todo mundo um monte de conceitos prontos que eu nem sabia de onde vinham. Deus sabe, e agora eu também, quanto engano há por trás dessa sensação de maturidade que a gente experimenta aos vinte. E chegaram os trinta. É nesse ponto que quero espichar a prosa.
A expectativa de fazer trinta anos me apavorou durante os dois que antecederam o fato. Fiquei muito preocupada com a passagem do tempo e seus desdobramentos, com o tempo que deixei pra trás, com as decisões que precisei (e ainda preciso) tomar e as consequências disso sobre a minha vida e a das pessoas ao meu redor. Nos dois últimos anos, me pressionei muito para acertar - afinal de contas, espera-se de uma mulher de trinta anos, no mínimo, que ela saiba o que fazer da vida, certo? Errado.
Nós temos o hábito de rotular as coisas, os feitos, e estabelecer padrões regidos cronologicamente por algum Big Bang invisível que fica alertando: hora de acordar, de se formar, de dar o primeiro beijo, de casar (ora, você A I N D A não se casou, querida? ), de ter filhos, estar milionário ou pelo menos ser o presidente de alguma empresa, de usar anti-sinais, fazer plástica, ter uma bolsa de marca, parar de chorar, ficar segura. Enfim. E nos acostumamos com essa pressão, como se ela fosse genuína, como se estivéssemos de fato devendo algo ao mundo em decorrência do passar do tempo. Claro que não se pode viver sem responsabilidade alguma ou sem nenhum senso de orientação, mas não sei até que ponto esse frenesi ajuda no processo.
Acontece que o tempo passou e cá estou: Uma Mulher de Trinta Anos. Como eu me sinto? Ótima! Acabei entendendo que se não tem como correr, melhor fazer, não? Essa frase foi de uma amiga/irmã, que passou pela experiência antes de mim. E quer saber? Ela está coberta de razão.
Aos trinta anos, tenho a consciência agudíssima de que nunca vou chegar ao patamar de maturidade dos meus pais, por exemplo. Até porque o tempo passa na mesma velocidade para todos nós e para eles começou antes. De modo que o quinhão que me resta é aproveitar o que posso aprender. Aí vem o pulo do gato: por mim, tudo bem!
Aos trinta eu me conformei e entendi que algumas coisas eu já sei, outras não. Aprendi que algumas coisas é preciso tolerar, mas tenho aqui comigo uma lista enorme de situações que, sinto muito, mundo, mas não vou engolir de jeito nenhum. Entendi que cururu não é comprimido, mas às vezes precisa virar tira-gosto. Estou começando a descobrir que Sim e Não tem o mesmo peso, embora essa última seja muito mais difícil de dizer. Consegui olhar com mais humor para meus próprios defeitos e me perdoar por algumas escolhas, afinal de contas, foram elas que me trouxeram até aqui. Descobri o valor de se cultivar amigos e que muitas vezes só isso te livra de você mesmo. Entendi que somos nosso pior algoz e, paradoxalmente, nossa companhia mais importante. E que uma pessoa que não tolera estar só, está em péssima companhia.
Aos trinta anos, posso dizer que sei acender churrasqueira, trocar lâmpada, desentupir pias, ralos e companhia, arranho uma forma estranha de fazer fogueira, conserto varal, dirijo em estrada, abro vidro de palmito, cozinho um bocado de coisas, sei os princípios da troca de pneus, escrevo alguns textos, amo desveladamente algumas pessoas por quem valeria a pena morrer, entre outras coisas. Mas não mato baratas, ratos e companhia limitada; não tolero gente má, nem mentira, nem pessimismo. Não me alegro com a desgraça alheia. Não gosto de noticiário, nem de revista de fofoca. Não tenho saco pra gente arrogante e nem pra gente com cérebro de minhoca.
Talvez eu esteja mais ácida, menos doce, menos ingênua, mais confiante, mais doida, vá saber. Fato é que o Temido Trintão veio como um presente maravilhoso, uma forma de promoção, um upgrade para uma versão melhor de mim. O bonde do tempo passou e eu literalmente me joguei lá dentro.
Melhor ir com a vida, que observá-la passando. Porque o tempo passa, meu bem. Isso é fato. A questão fundamental é: você embarca ou não?
Beijinhos
Fê Coelho
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Fazendo justiça: trecho do primeiro capítulo de A Encantadora de Palavras
Olá, pessoas queridas.
Comemorando o dia do escritor, resolvi abrir mão de qualquer possibilidade de um dia inscrever meu livro em um concurso, entender que não será esse o caminho da querida Carolina - a verdadeira Encantadora de Palavras - e fazer justiça a ela. Talvez seja hora de compreender que posso estar sendo cruel com uma personagem tão dedicada ao espalhar das palavras. Uma garota que passou tanto tempo sendo escrita e que ainda hoje muda como as nuvens no céu não pode ficar mais confinada a bytes inertes numa pasta do meu computador.
Apresento a vocês, Carolina - a Encantadora de Palavras, uma menina quase comum, exceto por alguns detalhes. Esse é um trecho do primeiro capítulo do livro, que diga-se de passagem, ainda está (e desconfio que nunca deixe de estar) em revisão.
Beijo enorme a todos.
Fernanda Coelho
A Encantadora de Palavras
Capítulo 1
O
começo do fim
Dizem por aí que quando uma criança dá o seu primeiro sorriso, em algum
lugar, nasce uma fada. Se isso é verdade, eu não saberia dizer. Para ser muito
sincera, não conheço nenhuma fada, nem sei de onde elas vêm. E, embora eu já tenha
ouvido várias histórias sobre elas e a quantidade de coisas legais que podem
fazer, até hoje nenhuma entrou voando pela minha janela.
O que sei é
que, num lugar bem distante daqui, chamado Vale dos Sons, onde, segundo a
lenda, o vento conversa com os morros, sempre que uma criança lia a sua
primeira palavra, uma ponta de esperança brilhava e iluminava o rosto de uma
menina muito estranha.
Carolina era
mesmo uma garota diferente e todos em sua aldeia sabiam disso. Tinha os cabelos
compridos e escuros como o céu das noites de tempestade, quando não se pode ver
uma só estrela no firmamento. Seus olhos eram de um negro profundo, como um
poço onde se pode jogar uma moeda sem, contudo, nunca ouvi-la chegando à água.
Era magra e tinha os joelhos ossudos. Parecia
pálida, não como as heroínas presas em altas torres à espera de quem as pudesse
salvar, mas tinha a pele clara o suficiente para conferir-lhe certa aparência
frágil. Ela não era alta nem baixa. Seu sorriso, uma fileira de dentes brancos
e pequenos, lembrava um colar de pérolas emoldurado por lábios em formato de
coração. Não falava muito, nem pouco. O que realmente chamava a atenção em
Carolina, era a sua maneira de olhar para o nada, como se conhecesse um segredo
importante, como se enxergasse muito além do que se pode ver ou entendesse algo
além do que se pode compreender. Vez por outra, ela ria baixinho, tendo os
olhos perdidos em algo aparentemente sem importância, sem dizer nada a ninguém
e todos se perguntavam “qual é o problema com ela?”
O que as
pessoas na aldeia não sabiam é que Carolina escondia um segredo importante. Ela
conhecia as palavras.
Talvez você
esteja se perguntando “o que é que tem de mais nisso?” Não quero deixar
você curioso, então vou contar toda a história.
Acontece que no
lugar e no tempo em que
Carolina vivia, dizer que uma pessoa conhecia as palavras era
o mesmo que afirmar que uma fada entrara voando pela sua janela. Afirmar uma
coisa dessas era o suficiente para causar tumulto, fazer as velhinhas perderem
as contas dos bordados, as mães queimarem a sopa dos bebês, os homens errarem o
corte do bigode e baixar sobre o Vale dos Sons um silêncio tão denso que
poderia ser cortado como um pedaço de doce. Era um assunto sobre o qual não se
falava, nem nas conversas mais íntimas nem nos protestos mais acalorados.
Carolina vivia num mundo sem palavras, num lugar onde não havia histórias,
registros, leis ou notícias; onde não existiam anúncios, faixas, provas,
boletins, poemas, bilhetes ou listas de compra. Não existia dever de casa e nem
cartas. Simplesmente não se via palavra, por onde quer que se passasse. Elas
haviam acabado.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Uma janela chamada Felicidade
Alguns conceitos gostam de se revelar assim, do nada, numa manhã de quinta-feira qualquer. São ideias fugidias que vêm meio sem palavras, que se anunciam tão rápido quanto se retiram e podem fazer valer o dia. Estou falando de breves momentos de clarividência, daquele instante mágico no qual se compreende algo importante. Algo com o poder de mudar conceitos, fazer pensar ou - no mínimo - fazer sorrir.
Foi assim hoje. Sem que nada de especial (em tese) acontecesse, consegui formular um conceito do que para mim é a felicidade. Veja bem, estamos tratando de uma manhã sem qualquer atrativo especial: a primeira do inverno, um dia paradoxalmente quente, com céu limpo, sem vento ou novidades. Eu estava na cozinha da casa de meus pais, um lugar conhecido desde sempre, por cuja janela se filtra uma luminosidade dourada capaz de desenhar pequenos quadradinhos de luz no chão molhado, cheirando a produto de limpeza e tranquilidade. Minha filha correu para longe de mim, após devolver-me o copo vazio e ainda morno pelo leite. Ouvi música e entendi: a felicidade é uma janela que fica sempre aberta, mas sobre a qual nem sempre nos debruçamos.
Esse pode parecer um conceito estranho, mas para mim calhou perfeitamente. Visualizei-a como se estivesse exatamente à minha frente: uma janela aberta, por onde passa luz dourada e oblíqua, em cujos raios se pode ver suspensos os grãos de poeira num eterno balé. Mais adiante um campo, verde, florido e vivo. É como se ela sempre estivesse lá, mas passássemos apressados demais para prestar-lhe atenção. Até que um dia, numa manhã comum de uma quinta-feira qualquer, por algum motivo, eu tenha resolvido demorar-me à sua frente; como se houvesse resolvido me aproximar e olhar o que está contido em minha própria felicidade.
E me vi cheia de motivos para estar feliz. Pensei em minha família unida, bela e em paz; recordei os amigos, meu trabalho, ouvi a risada de minhas filhas e sorri. Estiquei meus braços, enchi os pulmões de ar, movimentei as pernas, peguei um brinquedo jogado no chão e agradeci. Senti-me profundamente grata pelo que sou e tenho, pela família em que fui inserida, pelas raízes que compartilhamos, pelos princípios que guiam minha existência e por cada uma de minhas memórias.
Penso que deve ser algo realmente triste, quando a pessoa se fecha muito demoradamente na escuridão do pessimismo, das reclamações e se foca sempre naquilo que falta. Isso faz com que não se consiga suportar a luminosidade de dias delicadamente felizes. Acredito que fizeram à felicidade uma grande injustiça, elevando-a a um patamar inatingível de bens ou sensações psicodélicas, quando - a bem da verdade - ela está o tempo todo esperando ser apenas reconhecida.
E é esse o ponto em que quero chegar, finalmente. A felicidade é simples por essência. Delicada e mansa, ela não necessita de tantos adereços quanto se prega por aí. Não é preciso que se faça da vida uma Drag Queen de anseios e sensações. Porque para ser muito sincera, acredito que a felicidade seja mesmo uma janela sempre aberta. Tudo o que precisamos fazer é escolher nos debruçarmos sobre ela.
Beijinhos
Fê Coelho
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sexta-feira, 8 de junho de 2012
Carta aberta à melhor irmã do mundo
Conheço você desde que me entendo por gente. Aprendi a andar ao seu redor, ou seria para fugir de você? Aprendi a falar para te pedir alguma coisa, ou para contar à mamãe alguma maldade que você tenha feito comigo. Vá saber. O que importa mesmo é que em todos os marcos realmente importantes de minha vida, sua figura sempre se fez presente. Você sempre esteve lá, com esses seus olhos cor de mel e esse sorriso bondoso que quase destoa numa cara de onça brava que só você sabe fazer. E quando penso em nós duas, embora sejamos tão diferentes em tantos aspectos, é como se pensasse em uma coisa só, indivisível, única, uma bagunça que a gente entende tão bem e que não se desfaz.
Com você, amoreco, aprendi a brigar, a dividir e ceder. Aprendi a ouvir, a dar colo, a ser companheira e fofocar. Mas eu diria que uma das coisas mais divertidas que aprendi contigo foi não brigar. Recordo-me exatamente, como se fosse há quinze minutos, de ver sua imagem refletida no espelho, fula da vida, enquanto me ouvia dizer "olha, eu sei que você quer brigar, mas tenho uma novidade: eu não vou brigar. Se quiser, brigue sozinha". Nesse dia, adquiri o hábito de resolver se quero brigar ou não. E sei que te matei de raiva um milhão de vezes com ele. Acontece que brigar contigo nunca foi algo quem me agradasse, porque a bem da verdade, tudo o que eu sempre quis foi a sua aprovação.
Sempre te admirei, amore. Sempre vi em você um exemplo. Você era algo, assim, como uma força da natureza, nunca se conformando muito bem com as coisas, dando um jeito para que os resultados se moldassem à sua maneira.
E o tempo passou. E nessa sanfona maluca da vida, que afasta e aproxima as pessoas, de alguma maneira, sempre estivemos unidas por um amor que não se dissolve.
Hoje sei que tenho em você um lugar seguro para onde ir, sempre que quiser e precisar. Tenho em você uma amiga extremamente fiel, uma pessoa que sempre me lembrará quem eu sou e do que sou feita. Estou falando de raiz, maninha. Daquilo que realmente importa. Sei que sempre terei em você uma pessoa divertida com quem rir e alguém com quem praticar minhas patéticas tentativas de ser um remendo de psicóloga.
Te admiro muito. Pelas pequenas coisas e pelas grandes. Te admiro pela garra com que você abraça a vida, com que desempenha seu trabalho e pelo amor com que se faz mãe. Te admiro pelas palavras doces que entrega de graça, pelo carinho que tem com todos à sua volta, pela maneira com que põe a mesa e decora a casa e por todo o resto.
Obrigada pela amizade, pela fidelidade, por todo o seu amor e por todo o resto. Obrigada por meus sobrinhos e por me ensinar a beleza de se cuidar de duas crianças lindas e estragá-las à vontade - afinal de contas, as tias estão aí para isso mesmo.
Te amo muito mais do que poderia caber em um texto curto escrito por uma pessoa de vocabulário reduzido.
Beijo gigante.
Feliz Aniversário!
Fê
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Quem sou eu
A autora por ela mesma
- Fernanda Coelho
- Uma pessoa muito bem humorada, otimista incorrigível, tentando se encontrar nesse mundo maluco.
Boas vindas.
Seja bem vindo você que vem curioso, que vem interessado ou mesmo desacreditado.
Seja bem vindo você que me lê e descobre-me aos parágrafos.
Aproveita as palavras que encontrar por aqui e fica à vontade: a casa é sua. Só não põe o pé na mesa.
Sejam todos bem vindos.
Beijinhos
Fê
Seja bem vindo você que me lê e descobre-me aos parágrafos.
Aproveita as palavras que encontrar por aqui e fica à vontade: a casa é sua. Só não põe o pé na mesa.
Sejam todos bem vindos.
Beijinhos
Fê
Obrigada pela presença
Eu apoio
Plágio é crime e deve ser encarado como tal. A divulgação dos escritos é uma honra, mas os créditos são compulsórios.
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