segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Tão Simples



Desconfio que a felicidade seja uma senhora esperta e sábia, que não se permite rotular. Imagino que seja figura feminina, melindrosa, leve e sutil; simples, mas tão simples, que podemos passar por ela muitas vezes e pensar que não, aquela definitivamente não pode ser a Felicidade. Acredito que caminhe com pés descalços por aí, apenas aproveitando o caminho. Ela não se prende ao relógio, nem ao calendário. Creio que ela simplesmente esteja, sem a necessidade de algo além disso.

Muitas vezes já argumentei que prestamos um péssimo favor a nós mesmos quando transformamos a felicidade Na Felicidade, assim, com letra maiúscula e fogos de artifício. Tornamo-nos reféns de cenas idealizadas, com trilha sonora e luz bem posicionada. Com isso, abrimos mão de perceber a doçura que se esconde nos pequenos contentamentos, nos instantes - esses pequenos pedaços de que é feita a nossa vida. Passamos a nos importar tanto com o fato de conseguirmos um quadro perfeito, que infinitas vezes perdemos a capacidade de apreciar a beleza das tintas na tela. 

E nesse afã de encontrar a tal Felicidade - pura, límpida e com selo de qualidade - deixamos passar por nós as oportunidades de sermos realmente felizes. Sabe, leitor, o mar não trabalha em câmera lenta e nem sempre parece o Caribe. Mas ainda está lá. A areia ainda está sob os pés das pessoas; o barulho das ondas e a maresia persistem. A vida não é videoclipe, mas isso não a torna menos bela - apenas faz dela algo real e possível. Da mesma forma os relacionamentos são apenas relacionamentos. São o encontro de duas pessoas que podem ou não se entenderem bem. Por mais bonita que seja a história, idealizá-la seria tirar-lhe a autenticidade, aquilo que faz dela algo único e, por isso mesmo, tão bonito.

Tentar transformar a vida numa comédia romântica ou num comercial de margarina é injusto. Esperar que a felicidade venha polida, cintilante e musical é tão tolo quanto esse hábito de exagerar nos editores de imagens em fotos de mulheres lindas. É reconhecer que o que se tem, embora lindo, nunca será o suficiente. 

Talvez o grande barato seja aproveitar a beleza do céu num dia de nuvens que se desmancham como chumaços de algodão; ou o cheiro do café coando, ou a gargalhada de alguém que a gente ama. Quem sabe a felicidade se aninhe no calor de um abraço apertado; quem sabe se esparrame pelo verde dos morros que a gente vê durante uma viagem. Pode ser que a Dona Felicidade tenha esse hábito das doses homeopáticas. Ou quem sabe ela não faça nada e apenas nos observe enquanto somos felizes.

Desconfio que a felicidade seja uma mulher esperta; simples, tão simples e silenciosa que nem sempre percebemos sua presença. Mas basta olhar atentamente, que ela está lá. De alguma forma, ela sempre está.

Beijinhos
Fê Coelho.


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Ter, escrever, plantar e mais. Bem mais. - Uma crônica sobre amizade.



As pessoas dizem por aí que todos deveriam, antes de morrer, ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Na condição de quem já realizou todas essas coisas, posso acrescentar um item? Todas as pessoas deveriam cultivar um grande amigo. Pode ser que eu não me tenha feito compreender. Veja bem: não estou falando dessas amizades amarelo-bebê. Refiro-me a uma amizade daquelas ímpares, que não se encontram em qualquer lugar.

Toda pessoa deveria experimentar ter um amigo que diga exatamente a verdade, porque se importa realmente com os efeitos do que for dito. E deveria também ter alguém com quem seja possível ser absolutamente sincero. A comunicação limpa é um presente muito maior do que se possa imaginar. É prova de consideração, respeito e cuidado. Ser honesto é mais do que simplesmente dizer verdades piedosas: é falar aquilo que pode não agradar, mas que certamente fará crescer. Pessoas assim, autênticas, são raras e devem ser cultivadas.

Todos nós deveríamos ter a chance de saber o que é estar longe de alguém durante muito tempo e, no reencontro, sentir que é como se não houvesse passado quinze minutos. Numa época de tantas mudanças, de tantos aplicativos e atualizações, a estabilidade é uma benesse. Faz diferença ter alguém que nos conheça a fundo, que nos ame e para quem possamos entregar amor. Faz bem ao coração saber que existe alguém nesse mundão velho sem porteira que combina com você - não importa a imagem que o espelho mostre.

Todo mundo merece uma pessoa com quem possa rir até a barriga doer e chorar até quase virar do avesso. Grandes amizades não se fazem com conveniências. Elas transitam pelos extremos, pelo desvario e voltam ao centro, para onde há calma e concórdia; onde amadurecem e se transformam em dias, meses e décadas.

E não se engane: um grande amigo não lhe tira coisas. Ele não lhe tira a paz, a confiança ou a auto-estima. Um grande amigo não lhe tira relacionamentos, ou chances. Ele agrega. Um grande amigo permeia a vida de uma pessoa de forma tão sublime que dificilmente a explicamos. O que quero dizer é que em termos práticos, o que se observa é que amizades verdadeiras não excluem pessoas ou impedem o crescimento. Elas, ao contrário, vão se moldando e se transformando com os movimentos da vida - movimentos esses que são feitos juntos. Porque muito mais que apoiar nos fracassos, um amigo de verdade comemora e convive com as vitórias do outro.

Nem todos plantaram árvores, tiveram filhos ou escreveram livros. Assim como não posso afirmar que todos tenham experimentado essa forma de ser amigo. O que sei - e talvez o leitor concorde comigo - é que amizades assim são um tesouro grande demais para se passar a vida sem conhecer.

Na esperança de que todos encontrem e cuidem bem do seu tesouro, me despeço.
Beijinhos,
Fê Coelho.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Ser ou estar?



Hoje me ocorreu algo que ainda não havia percebido: o quanto discordo da clássica pergunta "o que você vai ser quando crescer". Eu mesma já me fiz essa pergunta em outras ocasiões, quando pensava - em vão - que havia crescido o suficiente para respondê-la. Dirigindo para casa hoje, enquanto olhava as curvas da estrada e os montes muito à minha frente, compreendi que crescer é muito mais um processo do que uma finalidade.

Não concordo com esse hábito que temos de classificar o crescimento como um ponto fixo a ser alcançado, como um trono onde se assenta e reina para sempre. Crescemos toda vez que fazemos uma escolha, mas principalmente quando lidamos com os resultados dela advindos. Crescemos quando aprendemos a valorizar as pessoas que vivem ao nosso redor e quando compreendemos que amar é mais que apenas estar ao lado. E quem dirá que não crescemos quando as lágrimas percorrem seu curso? Muitas vezes o sofrimento é professor mais eficaz que a bonança.

Com tudo o que vejo, cresço um pouco mais - em memórias, em conhecimento, em ideias e num tesouro que é só meu. Cada abraço que recebo ou distribuo me torna maior em afeto; a cada sorriso, cresço em contentamento. Cada nova pessoa que passa a compartilhar de meus dias acrescenta vida a eles. Cada música que ouço me faz crescer em emoções. Toda risada me faz ser maior. Toda vez que me doo, cresço. E a cada perrengue que enfrento, cresço em possibilidades de resistir.

Crescer, às vezes, dói. Incomoda. Assusta. Sempre foi assim - vide o primeiro dia de aula, o primeiro emprego, o primeiro beijo e outras tantas estreias. Enfrentar aquilo com que não ousamos sonhar é uma das formas mais bonitas de crescer e uma das mais difíceis. Aceitar que não estamos prontos requer humildade para nos reconhecermos pequenos. E talvez nisso resida a verdadeira grandeza.

Pode ser que eu esteja errada, como tantas vezes já estive. Quem sabe, essas ideias de hoje sejam apenas um sopro, um vislumbre de algo maior - que eu, em minha pequenez, ainda não consigo compreender. Perdoe-me o leitor, se me perceber no engano. Todavia, tenho cá comigo, hoje, a impressão de que não importa tanto assim o que queremos ser quando crescermos; interessa, sim, saber como queremos estar, enquanto crescemos.

Beijinhos
Fê Coelho.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O Mundo Miúdo




De todas as lentes que já usei para ver o mundo, a mais bacana é - de longe - aquela que as crianças usam. Não apenas pela vivacidade das cores e pelo encanto da descoberta, mas principalmente porque o mundo visto por olhos infantis é muito mais leve. E foi essa, uma das coisas que me fizeram querer escrever para elas.

Quando escolhemos para quem serão destinados os mundos e personagens que criamos, não estamos selecionando público; estamos, antes, nos pondo a serviço de algumas pessoas e nos dispondo a entregar-lhes algo com que se entreter e se encantar. Um escritor tem a obrigação de oferecer o seu melhor aos leitores e isso passa por enxergar o mundo sob o ponto de vista do outro.

Pensar como as crianças é difícil para nós, adultos, especialmente porque passamos a vida sendo treinados para abandonar esse costume. O mundo - preparado para ser sério, eficaz e efetivo - nos tira pouco a pouco a capacidade de sermos descomplicados. Mergulhamos devagarzinho, quase sem sentir, no mundo das nuances, dos meios tons e das meias verdades. E vamos nos distanciando de velhos hábitos como gostar por inteiro, aceitar ajuda e reconhecer nossos medos, entre tantos outros.

Acontece que para escrever para crianças, é necessário fazer essa viagem magnífica para onde tudo é possível: bichos podem falar, canetas esferográficas fazem greve e o céu chora. Empreender essa cruzada é encontrar-se com o que abandonamos ou esquecemos; é revisitar antigos conceitos e repensar os novos. Quando mudamos a lente com que enxergamos a realidade, ela se transforma. Somos apresentados a infinitas possibilidades que podem, inclusive, ser mais atraentes.

Crianças podem ver os fatos por seu melhor lado. A elas é permitido fazer tentativas sem necessariamente se cobrar um desempenho previamente estipulado. Para os pequenos, tudo é descoberta e novidade; a diversão pode estar escondida em coisas grandes como viagens para a praia e pequenas como papel picado. O universo miúdo é a terra das possibilidades, das palavras simples e da clareza de ideias. Deve ser por isso que minha filha me pede para fazer oração de criança

Visto de baixo pra cima, o mundo pode ser meio assustador, com seus casacões pesados, passos largos apressados e bigodes torcidos; pode ser esquisito com assuntos cheios de números indecifráveis, responsabilidades e conveniências. De minha parte, penso que na maioria das vezes esse ponto de vista é adorável. Porque olhando para cima é que enxergamos o céu.

Beijinhos,
Fê Coelho.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sobre intenções, barcos de papel e o tempo.



Não foi sem querer que me atrevi a sonhar. Nem foi por acaso que resolvi me tornar uma pessoa com quem gosto de conviver. Não foi sem perceber que minha imagem no espelho foi se adequando aos meus gostos. Nem foi sem sentir que fiz dos meus dias algo que me orgulhe de relembrar. Estive pensando a esse respeito esta tarde; e a conclusão a que cheguei é que se há algo em nossa vida que faz a diferença, é a intencionalidade.

As pessoas - e aqui me incluo - podem ser muito injustas com o tempo, colocando sobre ele uma responsabilidade além da que lhe compete. Dizem que o tempo cura, que apaga, promove ou degrada. Dizem que o tempo é o senhor de todas as coisas. Hoje eu desconfio que ele simplesmente passa. Nós é que agimos, enquanto ele se vai.

O tempo é correnteza que não se deixa deter, que não se permite represar. É um regato, onde nós depositamos barquinhos de papel que lá se vão para o futuro: um sonho, um fato, uma oportunidade, afetos, expectativas. Ele carrega, mas não faz nenhum dos barcos. Tudo o que jogamos em seu leito precisou, primeiro, ser criado por nós - seja por nossas escolhas, ou pela falta delas. É a tal da intencionalidade.

Creio que viver de propósito seja um dos maiores presentes que podemos nos dar. E falo de coisas pequenas, como enxergar o ambiente à sua volta, sentir o cheiro das coisas, fazer escolhas conscientes, ouvir as pessoas atentamente, fazer o seu melhor no trabalho, apreciar o sabor dos alimentos e - por que não -  sonhar de verdade. Ora, se vamos mesmo encher os dias de barcos de papel, por que não fazê-lo com aqueles que escolhemos usar? Por que não colorir a correnteza do tempo com as nuances que nos aprazem?

Não podemos controlar tudo. Seria infantil esperar que pudéssemos. Todavia, há um ou outro ponto da vida que estão, sim, disponíveis para escolhermos. E são esses, os que fazem a diferença entre as pessoas que estão vivendo e as que apenas existem . A cada vez que nos voluntariamos para assumirmos a responsabilidade por nossas próprias escolhas, uma frota de dias selecionados a dedo é colocada nessa correnteza que passa apesar de nós.

Não importa de quantos barquinhos seja feita a nossa história. O que interessa é quantos deles foram realmente dobrados por nós. E se há uma falha da qual a consciência nunca deveria ter a oportunidade de nos acusar, que seja a de ter vivido sem querer.

Beijinhos
Fê Coelho

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Sobre pódios e emoções

Nunca sei muito bem como me dirigir a você aí do outro lado da tela. Fico do lado de cá pensando em como você gostaria de ser chamado. Por não saber a melhor maneira de resolver o impasse, vou chamá-los de amigos.
Estamos de parceria nova. Weeeeeee!
Mensalmente, vou postar um texto novo com uma pegada mais esportiva no blog do amigo Guigo Lopes. O site tem um conteúdo muito jóia e vale a pena a visita. O texto de estreia é o que segue abaixo e que pode ser encontrado nesse link aqui.
Espero que apreciem a novidade. 
Grande abraço,
Fê Coelho. 



Sobe a bandeira, começa o hino nacional. Os olhos dos atletas vão acompanhando, marejados. A música segue, os olhos também. Anos de treino todos ali, pendurados na voz da torcida. O pódio é o resumo de tudo aquilo que foi e não foi. E eu do lado de cá da televisão, torcendo para que ninguém fale comigo. Não é por mal, nem por nada. Não é por falta de espírito esportivo. Na verdade, ocorre o extremo oposto.

O que acontece é que me emociono toda vez que vejo a vitória de alguém, especialmente se os louros vierem em verde e amarelo. É um momento tão bonito e sublime que, eu invariavelmente acabo com a voz estrangulada, tentando segurar o choro - que toda vez me parece meio bobo - embora eu não consiga evitar. Ora, se não conheço aquelas pessoas, se não chutei uma só pedra do caminho que elas percorreram, se minha vivência no mundo esportivo se limita a alguns pequenos trotes, o que me faz ficar emocionada? Eu explico.

Uma das coisas que me emocionam no esporte é a capacidade que ele tem para transformar realidades desoladoras. A possibilidade de resgatar a dignidade, de formar o caráter, de ajudar a fazer escolhas, tudo isso é nobre. Outro ponto que me encanta é a necessidade de superação. Não que a própria vida não nos exija isso. Todos os dias, precisamos superar algum tipo de obstáculo, se quisermos ser melhores. No pódio, entretanto, isso se torna muito evidente. E mais coisas estão embutidas em minhas lágrimas mal-escondidas: a admiração pela força, pela persistência e disciplina; o encanto de ver um sonho realizado; o conhecimento de que todo grande feito é resultado de vida investida.

Acho que talvez as grandes vitórias dos atletas reflitam nossas realizações do dia a dia.  Quem sabe o grande ponto seja a superação; fazer aquilo de que não nos julgávamos capazes. Todos nós, cada um com seus obstáculos, vivemos de conquistar. Ultrapassamos concorrentes, aguentamos firme quando ameaçamos jogar a toalha, acertamos a mira para objetivos mais precisos, corremos mais rápido quando necessário e continuamos, quando pensamos que talvez seja a hora de desistir. No esporte e na vida, acredito que sejam essas as coisas que fazem a diferença.

E é por isso que eu me atrevo a pegar carona na emoção de quem vence: porque de uma forma ou outra estamos todos juntos. Porque grande ou pequeno, todo feito é motivo para comemorar.

Ver um atleta no pódio me recorda que o impossível, às vezes, é uma questão de ponto de vista. Vai dizer que isso não é emocionante?

Beijinhos
Fê Coelho.



terça-feira, 13 de agosto de 2013

Sobre Mudanças



Quem disse que mudança é fácil provavelmente nunca sentiu um chacoalhão da vida. Quem afirma que é simples abandonar o status quo, desconfio eu, nunca se viu diante de um legítimo "e agora, José?". Quem jura nunca ter se acovardado ou tremido diante do desconhecido, ou é doido, ou um mentiroso daqueles.

Se tem algo que pode ser considerado a mola do mundo, são as mudanças. E se precisamos mencionar algo que tensione essa mola, citemos o medo. Grandes mudanças geram grandes medos. E grandes temores, quando superados, proporcionam resultados incríveis. Se é fácil? Claro que não. Desconfio que muitos primatas devem ter morrido de fome, sem coragem suficiente para descer das árvores. 

Mudar é difícil, chato, dolorido e incômodo. É uma época em que olhamos para nossa própria vida e tudo se sacode, gira e muda de cor, como se os dias houvessem se transformado num caleidoscópio manuseado por mãos infantis. Ficamos preocupados, confusos, amedrontados e, amiúde, gostaríamos de poder dormir até que o processo acabasse. Quem nunca? Por várias vezes, eu já passei por isso. E se há uma coisa que a experiência tem me mostrado é que, apesar de angustiantes, mudanças costumam trazer consigo muitas benesses. 

Uma delas é a oportunidade de passar o saco de lixo, quer seja nas gavetas, quer nas lembranças, nos velhos hábitos, no que se leva da vida. O que quer que se guarde - material ou não -  pode ser reavaliado durante o processo de mudar. Quero dizer, quando se passa de um ponto a outro, nem tudo precisa vir junto; nem tudo é valioso o suficiente para se carregar. Por outro lado, o que se preserva adquire novo valor, por ter sido revisto e mais uma vez amado. 

Mudar é uma chance de acolher o novo, com coragem e bom ânimo. É olhar para uma nova etapa e poder dar as boas-vindas aos dias que virão. É uma possibilidade de não mais ficar nessa de belém-belém com a vida, mas apertar-lhe a mão, com direito a cusparada, para firmar uma parceria de crescimento e novidades.

Difícil? Muito. Incerto? Quase sempre. Incômodo? Frequentemente. Aí eu pergunto: não fosse a metamorfose, como teríamos borboletas?

Beijinhos
Fê Coelho

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