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Vi você ontem à noite, senhor Futuro, rapidamente. Foi quase uma fração de segundo, mas vi você, zombeteiro, parado num canto do quarto, observando-me derreter de amor enquanto mirava uma foto em preto e branco - artifício do Instagram.
Talvez você nem tenha percebido, mas vi brincar em seu sorriso enviesado a ironia de quem já viu algo se repetir infinitas vezes. Um bebê. Meu sobrinho. Eu olhando a foto e me desmanchando em ternura; pensando em quão mágico é ver a continuidade, o renovar da vida.
Você sorriu. Segurou a aba de seu chapéu, acenando com a cabeça um cumprimento que só vi pelo canto do olho, para logo em seguida desaparecer. Comigo, ficaram apenas o senhor Passado e dona Esperança - visitas sempre mais demoradas.
O senhor Passado gosta de contar anedotas. Sentou-se aos pés da cama e falou-me de quando eu, ainda criança, observava os adultos olhando fotos. Recordou-me o quão divertido era vê-los rir de suas fotos, cabelos e roupas que ninguém mais usava. O Passado estava sorridente; bem-humorado, até. Falou-me de lembranças douradas e quentinhas como colo de mãe. Explicou-me que também ele já havia sido futuro um dia. E disse-me que não me importasse tanto com o que há de vir. "Tudo vem a seu tempo, afinal" - disse, estalou a língua, ajeitou seu casaco e se foi.
Em seu lugar, ficou dona Esperança - linda em seu vestido verde, bordado de sonhos. Fizemos inferências e planos reluzentes. Falamos de possibilidades e de como imaginamos os dias vindouros. Revimos fotos, sorrimos e chegamos à conclusão de que Raul Seixas estava certo ao dizer que tudo acaba onde começou.
Sei que você sorriu ao me ver, senhor Futuro. Sei que em seu sorriso dançavam mil segredos. Não te peço que me revele nada, ou que se adiante. Tome o seu tempo. Esteja à vontade. Peço, todavia, que cada pedaço seu que se for tornando passado, deixe comigo uma memória bonita para aquecer o coração.
Seja leve, senhor Futuro. Seja suave e alegre. Venha risonho e cheio dos atributos com os quais dona Esperança lhe pintou.
A gente se encontra - numa tarde ao sol ou numa noite qualquer; numa música, numa risada ou numa foto. Fato é que de vez em quando a gente acaba se encontrando.
Até lá, receba um beijo cheio de ternura.
Fê Coelho.
Plágio é crime e deve ser encarado como tal. A divulgação dos escritos é uma honra, mas os créditos são compulsórios.
Um espaço para dividir minhas crônicas, outros textos e percepções malucas.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Terceira Carta ao Senhor Futuro
Vi você ontem à noite, senhor Futuro, rapidamente. Foi quase uma fração de segundo, mas vi você, zombeteiro, parado num canto do quarto, observando-me derreter de amor enquanto mirava uma foto em preto e branco - artifício do Instagram.
Talvez você nem tenha percebido, mas vi brincar em seu sorriso enviesado a ironia de quem já viu algo se repetir infinitas vezes. Um bebê. Meu sobrinho. Eu olhando a foto e me desmanchando em ternura; pensando em quão mágico é ver a continuidade, o renovar da vida.
Você sorriu. Segurou a aba de seu chapéu, acenando com a cabeça um cumprimento que só vi pelo canto do olho, para logo em seguida desaparecer. Comigo, ficaram apenas o senhor Passado e dona Esperança - visitas sempre mais demoradas.
O senhor Passado gosta de contar anedotas. Sentou-se aos pés da cama e falou-me de quando eu, ainda criança, observava os adultos olhando fotos. Recordou-me o quão divertido era vê-los rir de suas fotos, cabelos e roupas que ninguém mais usava. O Passado estava sorridente; bem-humorado, até. Falou-me de lembranças douradas e quentinhas como colo de mãe. Explicou-me que também ele já havia sido futuro um dia. E disse-me que não me importasse tanto com o que há de vir. "Tudo vem a seu tempo, afinal" - disse, estalou a língua, ajeitou seu casaco e se foi.
Em seu lugar, ficou dona Esperança - linda em seu vestido verde, bordado de sonhos. Fizemos inferências e planos reluzentes. Falamos de possibilidades e de como imaginamos os dias vindouros. Revimos fotos, sorrimos e chegamos à conclusão de que Raul Seixas estava certo ao dizer que tudo acaba onde começou.
Sei que você sorriu ao me ver, senhor Futuro. Sei que em seu sorriso dançavam mil segredos. Não te peço que me revele nada, ou que se adiante. Tome o seu tempo. Esteja à vontade. Peço, todavia, que cada pedaço seu que se for tornando passado, deixe comigo uma memória bonita para aquecer o coração.
Seja leve, senhor Futuro. Seja suave e alegre. Venha risonho e cheio dos atributos com os quais dona Esperança lhe pintou.
A gente se encontra - numa tarde ao sol ou numa noite qualquer; numa música, numa risada ou numa foto. Fato é que de vez em quando a gente acaba se encontrando.
Até lá, receba um beijo cheio de ternura.
Fê Coelho.
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Quem sou eu
A autora por ela mesma
- Fernanda Coelho
- Uma pessoa muito bem humorada, otimista incorrigível, tentando se encontrar nesse mundo maluco.
Boas vindas.
Seja bem vindo você que vem curioso, que vem interessado ou mesmo desacreditado.
Seja bem vindo você que me lê e descobre-me aos parágrafos.
Aproveita as palavras que encontrar por aqui e fica à vontade: a casa é sua. Só não põe o pé na mesa.
Sejam todos bem vindos.
Beijinhos
Fê
Seja bem vindo você que me lê e descobre-me aos parágrafos.
Aproveita as palavras que encontrar por aqui e fica à vontade: a casa é sua. Só não põe o pé na mesa.
Sejam todos bem vindos.
Beijinhos
Fê
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