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Ontem à noite, quando eu cheguei para trabalhar, as pessoas estavam falando sobre um funcionário que falecera no final de semana.
- Sabe o fulano? Aquele que trabalhava no setor tal?
- Sei não. Um que era assim e assado?
- Não. Um que era assim, assim e assado. Que estava afastado.
- Ah, sei. Nossa, mas ele era tão novo...
E por aí foi a conversa. E sabe quando alguém solta a frase que vai te valer o dia todo? Pois aconteceu ontem.
Quando eu já estava quase saindo do vestiário, uma outra funcionária fez a seguinte observação: todo mundo tem uma marca, características que te identificam, quando alguém precisa explicar quem você é. E essa marca, independente de aceitarmos ou não o fato, somos nós quem construímos.
E eu fiquei com meus pensamentos. Alguns (ou vários) amigos já me disseram que eu penso demais. E penso mesmo! Me arrebento de pensar, de tentar ver as coisas de outro jeito, de tentar entender e de tentar melhorar. Porque eu acho que viver só pra gastar o O2 disponível no planeta é pouco.
Então, como sempre, eu pensei. Muito.
Fiquei imaginando qual seria a minha marca. Teci mentalmente conversas amenas, em que as pessoas me identificavam como Aquela, baixinha, de cabelo loiro, que vivia rindo e que andava parecendo que desfilava... ou outras bem mais assustadoras como aquela baixinha, que falava demais e ria o tempo todo, parecendo que não tinha mais nada pra fazer na vida.
Não acho que podemos controlar a maneira como as pessoas nos veem, mas a maneira como nos apresentamos. E no fim das contas, tudo isso aí passa pelo crivo do amadurecimento - o que, no meu caso, tem demandado esforço e muito matutar.
Embora meu pensar não tenha me elucidado qual é a minha marca, visto que para isso seria necessário muito feedback (e feedback às vezes doi), ele me mostrou o que absolutamente não quero ter como característica definidora.
Não quero ser conhecida ou lembrada pelo mau-humor, nem pela maldade ou pela ganância desmedida. Deus me livre de carregar o estígma de reclamona, fofoqueira e traíra. E deve ser terrível de verdade - batendo na madeira agora - ser lembrada (ou esquecida) por ser uma pessoa assim, assim, sem sal, açucar ou tempero. Aquela pessoa que passou a vida inteira ali e não deixou marca nenhuma.
Se eu não quero nada disso, então o que quero?
Essa é fácil. Quando eu não estiver mais por aqui, quero que me lembrem como uma pessoa intensa, que não teve medo de batalhar, que se jogou na vida e a encarou de frente. Quero que se lembrem que eu sorria muito, que me esvaía em doação, que comigo não tinha tempo ruim. Quero que se recordem que eu era meio doida e muito apaixonada. Quero que se registre meu amor alucinado, incondicional e incessante por minhas filhas e que se recorde minha ânsia por viver.
Se é isso que vai acontecer? Não tenho a menor ideia. Mas vou aqui e acolá tentando pisar nos lugares certos, para que as pegadas que deixar atrás de mim conduzam a um lugar melhor.
Beijinhos
Fê
Plágio é crime e deve ser encarado como tal. A divulgação dos escritos é uma honra, mas os créditos são compulsórios.
Um espaço para dividir minhas crônicas, outros textos e percepções malucas.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Sabe? É aquela que...
Ontem à noite, quando eu cheguei para trabalhar, as pessoas estavam falando sobre um funcionário que falecera no final de semana.
- Sabe o fulano? Aquele que trabalhava no setor tal?
- Sei não. Um que era assim e assado?
- Não. Um que era assim, assim e assado. Que estava afastado.
- Ah, sei. Nossa, mas ele era tão novo...
E por aí foi a conversa. E sabe quando alguém solta a frase que vai te valer o dia todo? Pois aconteceu ontem.
Quando eu já estava quase saindo do vestiário, uma outra funcionária fez a seguinte observação: todo mundo tem uma marca, características que te identificam, quando alguém precisa explicar quem você é. E essa marca, independente de aceitarmos ou não o fato, somos nós quem construímos.
E eu fiquei com meus pensamentos. Alguns (ou vários) amigos já me disseram que eu penso demais. E penso mesmo! Me arrebento de pensar, de tentar ver as coisas de outro jeito, de tentar entender e de tentar melhorar. Porque eu acho que viver só pra gastar o O2 disponível no planeta é pouco.
Então, como sempre, eu pensei. Muito.
Fiquei imaginando qual seria a minha marca. Teci mentalmente conversas amenas, em que as pessoas me identificavam como Aquela, baixinha, de cabelo loiro, que vivia rindo e que andava parecendo que desfilava... ou outras bem mais assustadoras como aquela baixinha, que falava demais e ria o tempo todo, parecendo que não tinha mais nada pra fazer na vida.
Não acho que podemos controlar a maneira como as pessoas nos veem, mas a maneira como nos apresentamos. E no fim das contas, tudo isso aí passa pelo crivo do amadurecimento - o que, no meu caso, tem demandado esforço e muito matutar.
Embora meu pensar não tenha me elucidado qual é a minha marca, visto que para isso seria necessário muito feedback (e feedback às vezes doi), ele me mostrou o que absolutamente não quero ter como característica definidora.
Não quero ser conhecida ou lembrada pelo mau-humor, nem pela maldade ou pela ganância desmedida. Deus me livre de carregar o estígma de reclamona, fofoqueira e traíra. E deve ser terrível de verdade - batendo na madeira agora - ser lembrada (ou esquecida) por ser uma pessoa assim, assim, sem sal, açucar ou tempero. Aquela pessoa que passou a vida inteira ali e não deixou marca nenhuma.
Se eu não quero nada disso, então o que quero?
Essa é fácil. Quando eu não estiver mais por aqui, quero que me lembrem como uma pessoa intensa, que não teve medo de batalhar, que se jogou na vida e a encarou de frente. Quero que se lembrem que eu sorria muito, que me esvaía em doação, que comigo não tinha tempo ruim. Quero que se recordem que eu era meio doida e muito apaixonada. Quero que se registre meu amor alucinado, incondicional e incessante por minhas filhas e que se recorde minha ânsia por viver.
Se é isso que vai acontecer? Não tenho a menor ideia. Mas vou aqui e acolá tentando pisar nos lugares certos, para que as pegadas que deixar atrás de mim conduzam a um lugar melhor.
Beijinhos
Fê
Quem sou eu
A autora por ela mesma
- Fernanda Coelho
- Uma pessoa muito bem humorada, otimista incorrigível, tentando se encontrar nesse mundo maluco.
Boas vindas.
Seja bem vindo você que vem curioso, que vem interessado ou mesmo desacreditado.
Seja bem vindo você que me lê e descobre-me aos parágrafos.
Aproveita as palavras que encontrar por aqui e fica à vontade: a casa é sua. Só não põe o pé na mesa.
Sejam todos bem vindos.
Beijinhos
Fê
Seja bem vindo você que me lê e descobre-me aos parágrafos.
Aproveita as palavras que encontrar por aqui e fica à vontade: a casa é sua. Só não põe o pé na mesa.
Sejam todos bem vindos.
Beijinhos
Fê
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5 comentários:
Fernanda,eu penso nisso tbem o tempo todo.....que perfil eu tenho,como as pessoas me veem...
Alguns dizem que não devemos muito nos preocupar com o que outros nos falam,mas não adianta....todos nós nos preocupamos....
Estou aqui curiosa pra saber como outros me veem....
As vezes é bom perguntarmos isso a alguem super sincera que nos conhece bem ..rsrs
Fernando...um beijo ....fique com Deus...
Sol.
Nunca me importei com o que os outros acham de mim, nunca mesmo, mas ser lembrada com alguma característica negativa é complicado. Só que não podemos fechar a boca daqueles que não sabem nem o que dizem.
Beijo, Fê.
Rebeca
-
De fato Fê, é bom pensar que podemos deixar uma boa imagem nossa pras outras pessoas, mas nem por isso devemos mudar algo em nós. Se temos alguma coisa (mania,costume etc...) que os outros achem estranho, mas que nos faz bem, não devemos mudar, não importando que os outros nos vejam como idiotas ou estranhos.
Daí se isso ocorre, o máximo que podemos fazer é seguir aquela frase de Bob Marley:
"Vocês riem de mim por eu ser diferente, e eu rio de vocês por serem todos iguais."
Pelo menos é o que eu acho.
E você não se preocupe, pensaremos só as coisas boas de você (mas que já fique avisada, você só tem permição de partir da Terra daqui à muitos, muitos, muitos e muitos e muitos (isso daí 128x vezes) anos^^
É Verdade, Fê, vc me levou a uma reflexão, tbm sou uma "pensadora" incorrigível.
Fiquei aqui imaginando qual seria a minha marca, aquela que só dizem pelas nossas costas. Ou aquela que dirão por ocasião da minha morte. (isola!!!) rsrs.
Mas de algumas eu sei. Sempre diziam "aquela baixinha, loirinha..." Mas eu deixei de ser loira há um ano.
Eu tenho uma marca forte e talvez por isso esqueçam meus defeitos quando querem se referir a mim. Sempre dizem “aquela que pinta, a artista...” Ainda bem, né... Fui salva pelo gongo, se não, diriam “aquela que fala até pelos cotovelos” hahaha.
Bjokassss, bom findi!
Também penso como serei lembrada. E acho que a melhor definição vai partir daqueles que mais me amarem, e/ou me entenderem.
Beijos e pétalas.
P.S. Amo frases que valem pelo dia todo, kkkk.
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