quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Quando descobri o prazer de ler



Quando descobri o prazer de ler, um mundo novo se abriu para mim. Passei a ver coisas que não via, a observar a vida de uma maneira que jamais poderia supor. Entendi porque algumas pessoas sorriem do nada e porque eu sentia a mesma vontade: é que a alma precisa voar e não há voo tão suave quanto aquele feito por asas leves, emplumadas de palavras.

Quando descobri o prazer de ler, nunca mais estive só. Onde quer que vá, estarei acompanhada - por um livro, pelas lembranças dos personagens que conheci ou pela perspectiva dos que poderei inventar. Aprendi a não me impacientar com as filas ou com as salas de espera. Na verdade, todos esses momentos se tornaram uma desculpa para me desligar do cotidiano por alguns instantes.

O prazer da leitura fez de mim uma pessoa esquisita, daquelas que observam os lugares, que registram a luminosidade do dia, que tenta gravar o cheiro e a temperatura de cada ambiente. Ler tornou-me uma pessoa estranhamente sensível e cheia de ideias. Fez de mim alguém que imagina personagens nas pessoas que vê no metrô ou pelas quais passa durante uma caminhada. Ler fez de mim alguém irremediavelmente pensante. E aí danou-se.

Danou-se porque não imagino mais viver sem as palavras. Danou-se porque não posso mais me conformar com uma vida plana, isenta de entrelinhas e rasa como uma piscina infantil. Danou-se porque tomei gosto pela sutileza, pela leveza e pelo colorido que só as palavras bem escolhidas podem proporcionar. 

Não digo que não poderia viver sem as palavras. Eu poderia fazer isso. A questão primordial, entretanto, é a seguinte: eu não quero. Não quero abrir mão do suspiro ao encerrar a última página de um livro, nem da saudade que tenho de meus personagens favoritos. Não quero viver sem o cheiro das folhas, ou sem o prazer de apenas deixar que o mundo gire em outra velocidade ou direção, enquanto me ocupo da vida de pessoas que sequer existiram. 

E não importa que eu tenha me tornado uma pessoa destoante das demais. Não me incomoda o fato de ter me transformado numa criatura que chora ou ri às gargalhadas com um livro nas mãos. Conformei-me com essa pequena parcela de desapego da normalidade, com essa pequena fuga dos padrões. E vou além, leitor querido: desejo o mesmo a você

Desejo que você possa colecionar mundos. Desejo que você encontre  pelo menos um personagem para fazer parte de suas lembranças felizes. Espero que você consiga encontrar um cenário para surgir em seus melhores sonhos e que queira visitar novamente nas páginas de um livro muito querido. 

Espero que você consiga, leitor querido. Porque quando descobrir o prazer da leitura, você estará irremediavelmente perdido para uma vida muito mais rica, multifacetada de possibilidades.

Beijinhos
Fê Coelho

1 comentários:

Michele Santti disse...

Ah amiga... descobri faz um tempo. Deixo aqui minha declaração firmada:

"Promiscuidade com livros

Não consigo parar de ler. Toda noite tem um livro em minha cama. Às vezes acabo dormindo com dois. E se conheço outro, quero também. Se não conheço, eu procuro. Acho que sempre haverá um livro em minha cama...

(Michele Santti)"


***

Beijos no core, ótimo fim de semana (e feriadão).

PS: Já enviou alguma escrita de tua autoria pro meu e-mail. Estou postando. Tem tanta gente bacana na blogosfera.

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